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Crianças vão deixar de vender fruta nas estradas de Santiago
Sociedade

Crianças vão deixar de vender fruta nas estradas de Santiago

Projecto tripartido entre a Câmara Municipal de São Lourenço dos Órgãos, ICCA e Delegação escolar desse concelho propõe pontos de venda móvel para tirar os meninos que vendem fruta da principal estrada que liga Praia ao interior de Santiago.

Provavelmente já os viu, ou, senão, ouviu falar deles. Sim, falamos desses miúdos, com idade entre os 8 e 15 anos, que diariamente perseguem os carros que fazem o percurso Praia-Assomada – o troço de maior circulação de veiculos no país – aliciando os condutores a comprarem frutas e bagas da região.

Vendem quase tudo: manga, zimbrão, tamarindo, jambre, marmelo… E muitas vezes colocando em risco a sua própria vida na perseguição das viaturas em andamento. São crianças em idade escolar que, mesmo gerando seu próprio rendimento, estão, na prática, a exercer uma actividade laboral, aumentando as estatísticas do trabalho infantil em Cabo Verde.

Esta foi, aliás, a razão pela qual o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) fez parceria com a Câmara Municipal de Órgãos e a Delegação Escolar nesse município – a grande maioria desses meninos vendedores está na estrada nacional que atravessa São Lourenço e São Salvador do Mundo – para contornar a situação.

O encontro com os pais aconteceu ontem, segunda-feira, 16, nos Órgãos, onde as autoridades envolvidas assumiram o compromisso de tirar essas crianças dos perigos da estrada e, em última instância, do trabalho infantil.

Segundo Lino Carvalho, delegado do ICCA em Santiago Norte, a ideia é montar seis pontos de venda móveis – ao longo da estrada que passa por São Lourenço do Órgãos –, ocupadas apenas por adultos, de modo a dar continuidade à venda espontânea de frutas da região. Em conversa com Santiago Magazine, Carvalho explicou que o objectivo é atrair os turistas estrangeiros e nacionais, fazendo-os parar e descer do carro para adquirirem produtos agrícolas.

E para que o projecto seja integrado – beneficiando a população em geral – esses pontos de venda serão uma espécie de quiosques feitos em madeira e outros materiais locais. O delegado do ICCA em Santiago Norte acredita que em Junho do próximo ano todos esses postos de venda estarão funcionais e as crianças fora dos perigos da estrada e mais focadas nos estudos.

* Com HS

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