
São Domingos assinala este domingo, 15 de fevereiro, o centenário do nascimento de N’toni Denti D’Oru, uma das maiores referências do batuco santiaguense e já falecido, com um vasto programa comemorativo que celebra a vida, a obra e a influência daquele que ajudou a projetar este género musical tradicional além-fronteiras.
Sob o lema “N’toni Denti D’Oru: Memória Viva, Legado Eterno”, as atividades arrancam às 08h00 com uma celebração eucarística na Igreja Matriz de São Nicolau Tolentino, em memória do homenageado
Às 09h30 está prevista a deposição de uma coroa de flores junto ao busto de N’toni Denti D’Oru, na avenida que ostenta o seu nome, seguindo-se, às 09h40, um momento de animação cultural com as batucadeiras “Fidjos N’toni Denti D’Oru”
O ponto alto da manhã será a comunicação dedicada à “Vida, Obra e Influência de N’toni Denti D’Oru”, agendada para as10h. A palestra estará a cargo de Bernardino Sena, músico, discípulo de Anu Nobu e profundo conhecedor da trajetória de N’toni, que deverá partilhar reflexões sobre o impacto artístico e social do mestre do batuco.
As comemorações prosseguem durante a tarde, com um desfile de Tabanka pelas zonas de Achada Grande Frente, Várzea e Achada Santo António, às 15h00, culminando com Batuku Finakadu na Tereru, às 16h00, na Avenida N’toni Denti, em pleno centro da cidade.
Nome maior do batuco
Praticado tradicionalmente por mulheres, o batuco é uma das expressões culturais mais antigas e identitárias de Santiago. N’toni Denti D’Oru destacou-se num universo maioritariamente feminino, afirmando-se como intérprete, dinamizador e guardião deste património imaterial. A sua energia, autenticidade e capacidade de inovação contribuíram para a valorização e internacionalização do batuco, elevando-o a palcos além de Cabo Verde e reforçando o seu estatuto como símbolo da resistência cultural do povo santiaguense.
O seu legado permanece vivo não apenas nas composições e interpretações que deixou, mas também na influência exercida sobre novas gerações de músicos e grupos de batucadeiras.
Calu di Guida quer resgatar referências culturais
A celebração do centenário enquadra-se numa iniciativa mais ampla promovida pelo músico são-dominguense residente nos Estados Unidos, Calu di Guida, que tem como propósito resgatar e valorizar figuras fundamentais da cultura local com repercussão internacional.
O projeto arrancou com uma homenagem a Anu Nobu, mestre multi-instrumentista e um dos compositores com mais obras registadas em Cabo Verde, evocada a 14 de janeiro, data da sua morte. Agora, o foco recai sobre N’toni Denti D’Oru, num esforço de preservação da memória cultural e de afirmação da identidade são-dominguense.
A seguir, em Março, será a vez de Codé di Dona, exímio acordeonista do funaná, nascido em Chaminé, em São Domingos.
Ao envolver a comunidade, músicos, grupos tradicionais e estudiosos da cultura, a iniciativa pretende não apenas recordar o passado, mas também inspirar o presente e projetar o futuro do batuco e das tradições de São Domingos.
A Câmara Municipal, parceira do programa, sublinha, em post no Facebook, que a presença da população nesta celebração histórica “será motivo de elevada honra” e contribuirá para o engrandecimento de uma data que reforça o orgulho cultural do município.
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