
O MpD está embarcando seus militantes numa narrativa sem sustentabilidade e “sem djobi pa lado” e pouco a pouco os seus potenciais apoiantes vão abandonar o barco à medida que a realidade da derrota ficar mais evidente!
Os indicadores de confiança interpessoal revelados pelo último estudo do afrobarometer, 2025, mostram que do total dos 1.200 dos indivíduos inquiridos, a maioria respondeu que confia muito (67%) na família, mas há uma elevada desconfiança em relação aos vizinhos afirmando que confiam pouco ou nada neles (49%) e a desconfiança em não confiar nada ou muito pouco ainda é maior em relação aos outros cidadãos (60%):

A baixa confiança nos vizinhos e nos outros cidadãos é indicativo de fraqueza de capital social tão importante para a prosperidade, desenvolvimento económico, social ou político.
O ranking dos países com os melhores indicadores económicos e sociais está associado àqueles cujos indicadores de confiança interpessoal são mais elevados.
Entre nós, temos baixa confiança interpessoal e um crescente aumento de desconfiança geral nas instituições eleitas (Assembleia Nacional, Presidente da República, Governo) e nas não eleitas (Polícia, Tribunal, CNE).
O aumento das taxas de abstenção média nas eleições para os diferentes órgãos de poder é revelador dessa desconfiança geral dos cidadãos no sistema, no seu funcionamento e nos resultados que consegue alcançar.

A maioria dos inquiridos (68%) afirma que não confia nada ou muito pouco no partido no poder, MpD, um volume expressivo (66,6%) diz que não confia nada ou muito pouco no Primeiro Ministro, Ulisses Correia e Silva e ainda um percentual considerável (65,7%) aponta que não confia nada ou muito pouco no executivo camarário. Atendendo que o levantamento foi feito em agosto de 2024, nessa data o MpD governava 64% das Câmaras Municipais (14/22).
A baixa confiança no PM, UCS, no partido no poder – MpD, e no executivo camarário maioritáriamente mpdista em agosto de 2024 refletiu-se na votação Autárquica de dezembro de 2024 em que o MpD ficou com 7/22 CM correspondente a 31,8% das CMs, os dados das sondagens recentemente divulgadas prevêem também, curiosamente, 31,8% de votação para o MpD nas próximas legislativas.

Os dados das avaliações do Primeiro-Ministro e dos Vereadores em agosto de 2024 colocam por terra a argumentação do Governo e do MpD de que o desastre eleitoral autárquico ventoinha não tinha nada a ver com o desempenho do Governo do MpD.
A taxa de reprovação do PM (39%) é até superior à reprovação dos vereadores (38,8%). A aprovação do PM (47,3%) supera a dos Vereadores (41,6%), porém, ressalta-se que nos dois casos tanto da aprovação quanto da reprovação os números pontuais são equiparados por estarem dentro da margem de erro do estudo que é de +/-3%.
Quanto à votação, lembramos que o MpD obteve 31,8% das CMs em 2024, número esse totalmente coerente com as taxas de aprovação e de reprovação do PM e dos Vereadores observadas em agosto de 2024.
A sondagem divulgada no mês passado sobre as eleições legislativas do presente ano atribuindo 31,8% ao MpD, igualmente, está em sintonia com a avaliação de desempenhos dos executivos nacional e autárquico revelados em 2024.
Considerando que desde a abertura política em 1991 até 2021 todos os partidos vencedores das eleições legislativas tiveram votações superiores a 47% dos votos, a probabilidade de algum partido ganhar as eleições legislativas com 31,8% dos votos é muitíssimo remota!
O MpD está embarcando seus militantes numa narrativa sem sustentabilidade e “sem djobi pa lado” e pouco a pouco os seus potenciais apoiantes vão abandonar o barco à medida que a realidade da derrota ficar mais evidente!
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