Bissau: Golpistas voltam a encerrar Sede da Liga dos Direitos Humanos
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Bissau: Golpistas voltam a encerrar Sede da Liga dos Direitos Humanos

A Polícia de Intervenção Rápida, a mando dos militares golpistas, voltou a encerrar ontem a Casa dos Direitos, que alberga a sede da Liga Guineense dos Direitos Humanos. Exibindo armas de guerra, os agentes policiais expulsaram, ainda, do edifício o embaixador da União Europeia que, naquele momento, realizava uma visita à instituição.

A Casa dos Direitos, que alberga a sede da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) voltou a ser encerrada a mando dos militares golpistas na manhã deste sábado, 07, em Bissau. Já em dezembro último, a três dias do Natal, as instalações haviam sido assaltadas e, na ocasião, detidos e espancados dois funcionários.

A operação foi protagonizada por uma equipa da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), tendo, inclusive, expulsado das instalações o embaixador da União Europeia (UE), Federico Bianchi Antilia, que se encontrava nas instalações a efetuar uma visita guiada à Casa dos Direitos.

Sem mandado judicial e sem qualquer explicação, os agentes da PIR irromperam pelas instalações e expulsaram quem se encontrava no local, entre eles, para além do diplomata da UE, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé.

A LGDH, por várias vezes, já recebeu ordens de encerramento, mas nunca as tendo cumprido por as considerar ilegais e afirmando o direito de resistência, o que esteve na origem do já referido assalto à Casa dos Direitos em dezembro último.

Guineenses protestam em Bruxelas

Reagindo a mais um ataque ilegal contra a Casa dos Direitos e a LGDH, no próprio dia, guineenses residentes na Bélgica, concentraram-se em Bruxelas, junto à sede do Parlamento Europeu. “Unidos pela democracia”, “Justiça para a Guiné-Bissau”, “Diáspora Unida em Bruxelas” e “Parlamento Europeu: Ouçam-nos”, deram conteúdo às faixas exibidas na concentração.

Segundo os participantes, o ocorrido na manhã de sábado, não se trata de um episódio isolado, mas sim de uma reincidência, decorrente da suspensão do Estado de direito democrático e da Constituição, permitindo a violência policial e ações ilegais sem mandado judicial, instalando o caos e o autoritarismo no país, desde que em 26 de novembro de 2025 militares golpistas suspenderam o processo eleitoral e assaltaram o poder.

“Ouçam-nos”, é o grito eloquente de um povo que está farto de militares golpistas e da subversão da democracia, com as organizações internacionais a assobiarem para o lado.

Foto: DR

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