Em comunicação ao país, o presidente da República anunciou, após reunião do Conselho da República, as datas para o próximo ciclo eleitoral: legislativas a 17 de maio e presidenciais a 15 de novembro. No respeitante às eleições legislativas, José Maria Neves sublinhou que “a Assembleia Nacional foi constituída a 19 de maio e as eleições nos termos da Constituição e da Lei Eleitoral devem acontecer entre 19 de abril a 19 de junho”, alegando ter cumprido com o imperativo constitucional.
À saída de um encontro com o presidente da República, Francisco Carvalho anunciou que o seu partido propôs a data de 19 de abril para a realização das eleições legislativas. "Defendemos que, quanto menos tempo o Governo estiver a governar, menos chance tem de estragar o país”, disse o líder do maior partido da oposição.
Quem critica não odeia Cabo Verde. Quem questiona não é inimigo da Liberdade. Pelo contrário: só numa sociedade livre é possível discordar sem ser rotulado. Só numa democracia saudável se aceita que o amor ao país também se manifeste em perguntas incómodas. A Liberdade não precisa de monumentos caros para existir. Precisa de instituições sólidas, prioridades claras e respeito pela inteligência dos cidadãos. Tudo o resto é encenação e basofaria.
Em diálogo com os alunos da Escola Secundária Ludgero Lima, na cidade do Mindelo, José Maria Neve abordou, na tarde de ontem, as diversas formas de participação cidadã à luz da Constituição da República. Alunos e professores aproveitaram a ocasião para interpelar o Chefe de Estado acerca de vários dispositivos constitucionais.
A sessão solene do Dia da Liberdade e da Democracia, realizada na Assembleia Nacional, foi marcada pela exigência de imparcialidade das instituições, mas também da consideração de que democracia não rima com pobreza, por um lado, com a visão maniqueísta sobre o “bem e o mal”, transformando a solenidade num ato prévio da campanha que se avizinha e apoucando a efeméride que dizem defender.
Os democratas de pechisbeque que, agora, bajulam Trump, são os mesmo que, até novembro do passado ano, idolatravam o ditador guineense Umaro Sissoco Embaló, que com eles sempre foi muito generoso e até lhes financiava as campanhas eleitorais com dinheiro sujo. E a grande polémica nacional em torno do faraónico monumento à liberdade e democracia, não é uma questão estética nem orçamental, embora 150 milhões de escudos num país cheio de carências e onde o Governo está em falta, por exemplo, com as promessas feitas a Santiago Norte por razão das recentes intempéries, possa ser...
A democracia exige compromisso. Grupos com diferentes interesses e opiniões devem estar dispostos a sentar-se uns com os outros e negociar. Todo mundo que está disposto a participar de forma pacífica e respeitar os direitos dos outros, deve ter alguma palavra a dizer na forma como o país é governado, pior é quando o governo é despótico e acha que ele nunca engana. Na democracia o adversário político não é inimigo. A possibilidade da alternância política é sal da democracia. O dissenso na democracia deve ser encarado como algo normal e salutar nas democracias modernas.