
O Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), principal unidade hospitalar do país, enfrenta uma grave ruptura no fornecimento de anestesia, agente essencial para a realização de actos cirúrgicos. A situação tem provocado a paralisação do bloco operatório e deixado dezenas de pacientes internados à espera de intervenções médicas, incluindo cirurgias urgentes e até procedimentos de menor complexidade.
De acordo com informações recolhidas junto de utentes e profissionais de saúde, a ausência de anestesia afeta tanto cirurgias programadas como intervenções nas urgências, impossibilitando o normal funcionamento do hospital de referência nacional. Doentes provenientes de outras ilhas permanecem internados há cerca de dois meses, longe das suas famílias, acumulando despesas e vivendo num quadro prolongado de incerteza e sofrimento.
A falta do agente anestésico, básico no funcionamento hospitalar, levanta sérias preocupações quanto ao planeamento, gestão de stocks e capacidade de resposta do sistema nacional de saúde.
A anestesia é um insumo indispensável e a sua inexistência num hospital central, universitário e de referência coloca em risco a segurança dos pacientes, agrava quadros clínicos e prolonga dores que poderiam ser evitadas.
Até este momento, nem a direção Hospital, nem o Ministério da Saúde apresentaram qualquer explicação pública, nem divulgou informações oficiais sobre as causas da ruptura, prazos para reposição ou medidas de contingência.
O silêncio das autoridades tem gerado indignação entre pacientes, familiares e setores da sociedade civil, que questionam a ausência de comunicação num contexto em que vidas estão potencialmente em risco.
Um paciente confidenciou ao Santiago Magazine que nenhuma justificação lhe foi dada pela médica que o está a acompanhar e que um funcionário do HUAN é que lhe deixou saber que a falta de anestesia se deve a atraso na vinda do barco por causa do temporal que assola Portugal.
Recentemente, o HUAN acusou falta de equipamentos para cirurgia ortopédica, deixando muitos pacientes em longa espera. Não raras vezes escasseiam reagentes, interrompendo tratamentos diversos.
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários