
Dois dedos de conversa com Neusa Correia Lopes, primeira cabo-verdiana (eventualmente, também das primeiras africanas) a escrever sobre a pandemia da covid e agora sobre uma temática moderna: a Inteligência Artificial.
Santiago Magazine – Neusa Lopes é a primeira cabo-verdiana e africana a escrever sobre a pandemia da covid-19 e também a primeira a trazer, em livro, a Inteligência Artificial. Pergunto-lhe o que está a acontecer e o que vai acontecer?
Neusa Correia Lopes – Creio que está acontecendo. É o que digo no meu livro, quando falo do equilibrio emocional, para poder adaptarmo-nos e acomodarmo-nos neste mundo desta nova era da inteligencia artitificial. Portanto, seria muito importante se nós investíssemos na literacia digital.
Teme a IA?
- Não temo, porque eu vejo que a IA está cá para nos ajudar a ter uma vida mais fácil, ter trabalho mais fácil, menos repetitivo. Também falo da dimensão da tecnologia. Há uma frase que eu digo, que temos que ter equilibrio de modo a discernir estes dois parâmetros. Quando falo da dimensão da tecnologia, por exemplo, recorro a uma frase minha: a língua da IA é cultura e dimensão tecnológica também é língua. Isto porque, esta dimensão apresenta sua própria linguagem, os seus próprios parâmetros, pelo que é preciso descodificar esta linguagem. É preciso aproveitar as oportunidades que surgem.

Da forma como explica, a IA é meramente comercial.
Sim, mas veja que quando falo desta sociedade, refiro-me a uma sociedade da qual vejo muita preocupação. Pessoas me perguntam, será que vou ficar sem trabalho? As máquinas que estão a vir nos substituir?
Um dos pais da IA disse numa recente entrevista que em 2030, cerca de 99% das profissões deixarão de existir.
Eu diria até, que essa tendência já começou. Desde 2025, segundo minha investigação, em plataformas muitas das quais invisíveis, que sabemos disso. Temos mudanças climáticas. Andamos a preparar para isso desde há muito.
Estamos preparados?
Não estamos preparados. Para tal, teríamos que estar devidamente equipados com internet, etc. Vejo que a maior parte das escolas não trem ligação a internet. Para já devíamos estar devidamente equipados com coisas básicas como internet. Sem essas ferramentas n ao podemos falar de Cabo Verde Digital. Por isso defendi um mundo Social Dimentional. Mas e preciso electricidade, ferramentas, internet, para que possamos ter entao um mundo digital.
Dai que eu defendo um mundo Social Technical Dimension.

Neste momento, a IA condiciona tudo. Agricultura, aviação, segurança interna, exércitos, carros elétricos…
Sim, estamos perante um controlo mundial. Estamos a ser controlados pelo invisível. Por isso temos que estar alertas para o que está a vir num futuro muito próximo. Por isso que tenho estado a apostar na literacia digital. Eu tenho um programa na Radio Educativa onde desenvolvo estes assuntos. Quero que as pessoas estejam preparadas para o que vira de 2026 a 2030.
Até lá, 2030, a IA vai superar a inteligência de todos os humanos combinados. Isso é o que Elon Musk diz. Ele também afirmou que, com o tempo, haverá mais robots humanóides.
Neste memento, estou a dar formação continua às empresas, para preparar o staff. Digo isto porque há mais de 30 tipos de empregos que desapareceriam com o avanço da IA. E não só. Digo também sectores como Educação, Saúde.
Acredita que haja Inteligencia Artificial?
Veja, não há Inteligência sem memória. Portanto, a IA é programada pelo Homem, os algoritmos, equilíbrio mental. Há os prós e os contras da IA, como escrevi no meu livro sobre a Inteligência Artificial. É, também, como escrevi no meu livro Invisible : nós não vemos esse impacto. Estamos ansiosos e não sabemos porquê. Muita gente usa o ChatGPT e deixa de pensar, deixa de ter um pensamento crítico. Temos que ter cuidado com isso. Porquê? Porque a IA faz coisas sim, mas esquecemos que a IA não tem memória.
O brasileiro Michel Nicolelis, um dos maiores neurocientistas do mundo - volta e meia referenciado como candidato a Nobel - afirma que não existe inteligência artificial, primeiro porque a inteligência é biológica…
Foi o que eu disse, não há inteligência sem memória.
Se a máquina superar o Homem, que será de nós humanos?
Eu não diria e nem acredito que a Máquina irá superar o Homem. Veja, quem está com a máquina? Ela não está sozinha, está com o Homem.

Mas já aprendeu tudo.
Sim, aprendeu tudo. Mas não sabe tudo.
Ok, mas a máquina a antecipar o homem não será boa ideia, pois não? Porque deve ser falível.
A máquina pode falhar sim, mas dependendo das nossas necessidades e expectativas. Posso solicitar um trabalho com certa expectativa e a máquina entregar outra perspectiva. Portanto, não afirmo que se trata de uma falha em si da máquina, quando muito somos nós. Não estamos preparados para aquele produto final que não soubemos solicitar.
Por isso, tenho um projecto para levar computadores e internet a localidades menos favorecidas, porque ainda não temos Liberdade cibernética. A minha preocupação é fazer chegar a todas as pessoas o conhecimento.
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