
O Governo do Reino Unido bloqueou o acesso de bases militares aos Estados Unidos da América, para impedir ataque de Donald Trump ao Irão. Segundo o jornal britânico Times, a decisão se deve à preocupação de Londres na violação do direito internacional e ocorre numa altura de fortes tensões diplomáticas com Washington.
Reino Unido decidiu barrar os Estados Unidos da Améria (EUA) de utilizarem duas bases militares estratégicas, caso o presidente norte-americano, Donald Trump, ordene um ataque contra o Irão. A notícia foi publicada pelo jornal britânico Times nesta quinta-feira, 19, apontando preocupações do Governo de Londres referentes ao direito internacional e à diplomacia.
Segundo o jornal, o bloqueio de Londres se deve aos temores de que a comunidade internacional possa contestar sua contribuição para a violação do direito internacional, uma vez que uma eventual ofensiva de Washington não contaria com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), do qual ambas as nações são membros permanentes.
Por exemplo, em 2003, os britânicos se aliaram aos Estados Unidos na guerra contra o Iraque mesmo sem nenhum mandato internacional, ignorando os princípios do órgão da ONU que não distingue o Estado agressor do outro que fornece suporte à ação.
Ainda segundo o Times, a decisão britânica também pode ter ocorrido devido a uma briga entre Trump e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Washington prevê o uso das bases Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, sendo ela uma das mais importantes para os EUA para projeção militar, e a RAF Fairford, na Inglaterra, que abriga bombardeiros pesados.
Recorrentemente, o presidente norte-americano critica a devolução do arquipélago de Chagos – onde se localiza a base estratégica de Diego Garcia – para as ilhas Maurícias, embora os direitos de operação militar permaneçam com o Reino Unido.
Outras bases do Reino Unidos continuam a ser utilizadas pelos EUA
Na última quarta-feira, 18, Donald Trump usou sua plataforma Truth Social para retomar o assunto e declarou que, se o Irão não aceitar um acordo sobre seu programa nuclear, “pode precisar de Diego Garcia”. O presidente norte-americano sugeriu, ainda, que o apoio britânico não violaria o direito internacional, já que Teerão poderia potencialmente atacar o Reino Unido.
Apesar do veto do Reino Unido ao uso de bases, a mobilização militar norte-americana segue em ritmo acelerado. Outras bases no país, como RAF Lakenheath e RAF Mildenhall, continuam sendo utilizadas como pontos de trânsito aéreo para o Oriente Médio. Nesta semana, Washington enviou mais de 120 aviões de combate e apoio à região, dobrando o contingente destinado a possíveis ataques.
C/Opera Mundi
Foto: RAF Fairford
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Comentários
Fannon Bantu, 20 de Fev de 2026
A única notícia aqui é que o Santiago Magazine retransmite esta notícia como se fosse uma verdade em si mesma. Aliados clássicos se desentendem por causa do "Direito internacional"! Really? Esse mesmo UK que é incapaz de ter uma posição firme na questão palestiniana e outros assuntos como o ataque à Venezuela. Que o Irão não se deixe iludir por essas encenações dos Anglo-Saxões...
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