Air Macau recruta nove pilotos cabo-verdianos e agrava pressão sobre a TACV
Economia

Air Macau recruta nove pilotos cabo-verdianos e agrava pressão sobre a TACV

A companhia aérea Air Macau contratou recentemente nove pilotos cabo-verdianos, entre os quais três comandantes do quadro da Cabo Verde Airlines (TACV). A movimentação está a gerar apreensão no sector aeronáutico nacional, numa altura em que a transportadora estatal enfrenta constrangimentos operacionais e anuncia a abertura de novas rotas internacionais.

Segundo apurou o Santiago Magazine, antes desta nova vaga já um quarto comandante da TACV havia sido recrutado pela companhia macaense. Desta vez, além dos três pilotos da estatal, a Air Macau levou ainda seis profissionais que operavam em Cabo Verde através da Binter e da Bestfly, companhias que deixaram de voar no arquipélago.

Fonte ligada ao sindicato dos pilotos revelou que, nos últimos anos, a TACV perdeu 15 pilotos, de um universo de 50 profissionais. Logo após o shut down provocado pela COVID-19, oito profissionais saíram de uma só vez, somando-se ainda três comandantes que passaram à reforma.

Investimento perdido

A saída de pilotos experientes representa não apenas um desafio operacional, mas também financeiro. A formação de comandantes de Boeing implica investimento significativo por parte da empresa. Com a saída destes quadros, esse capital humano – e financeiro – acaba por beneficiar outras companhias, neste caso a Air Macau, que recruta profissionais já qualificados.

“Em todo o mundo, as companhias vão buscar pilotos às escolas, financiam a sua formação e criam incentivos para os manter. Caso contrário, é investimento perdido”, explicou um piloto ouvido pelo Santiago Magazine.

Impacto na conectividade

A redução do número de comandantes experientes poderá agravar o défice de conectividade interna e pressionar ainda mais os pilotos que permanecem ao serviço, sobretudo num momento em que a TACV anuncia novas ligações para o Brasil e os Estados Unidos.

Segundo a mesma fonte, há pilotos em terra por falta de aeronaves, o que aumenta o descontentamento da classe e contribui para a procura de oportunidades no exterior.

Wet lease sob escrutínio

Outro ponto sensível é o recurso ao regime de wet lease para garantir ligações domésticas. Actualmente, voos internos têm sido assegurados por aeronaves e tripulações da Global. De acordo com o regulamento CV-CAR, este tipo de contrato tem duração máxima de seis meses, renovável por mais três. No entanto, a operação já terá ultrapassado os nove meses.

“Mas isso é um problema que cabe à autoridade aeronáutica averiguar”, sugere a fonte.

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SOBRE O AUTOR

Hermínio Silves

Jornalista, repórter, diretor de Santiago Magazine

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