
Em entrevista, o promotor da iniciativa, o músico são-dominguense radicado nos Estados Unidos, Calu di Guida, fala sobre o significado da homenagem e o legado da maior figura do batuco.
Santiago Magazine - São Domingos assinala este domingo, 15 de fevereiro, os 100 anos de N’toni Denti D’Oru. Que significado tem esta celebração?
Calú di Guida - É um momento histórico para o nosso município e para a cultura cabo-verdiana. N’toni Denti D’Oru é uma memória viva do batuco, um símbolo da nossa identidade. Celebrar o seu centenário é reconhecer a grandeza da sua obra e garantir que as novas gerações conheçam e valorizem o seu legado.
O batuco é tradicionalmente praticado por mulheres. O que tornou N’toni Denti D’Oru uma figura tão singular dentro deste género?
Exatamente por isso. O batuco sempre foi um espaço de expressão feminina, de resistência e de afirmação cultural. N’toni destacou-se nesse universo pela sua entrega, talento e liderança. Ele não apenas interpretava, mas ajudou a dinamizar e a projetar o batuco, contribuindo para que este género ultrapassasse fronteiras e ganhasse reconhecimento internacional.
Qual é o programa preparado para este domingo?
O programa começa às 08h00 com uma celebração eucarística na Igreja Matriz de São Nicolau Tolentino, em memória de N’toni. Às 09h30 haverá deposição de coroa de flores junto ao busto na avenida que leva o seu nome, seguida de animação cultural com as batucadeiras “Fidjos N’toni Denti D’Oru”.
Às 10h00 teremos uma comunicação sobre a vida, obra e influência de N’toni Denti D’Oru, com o músico Bernardino Sena, discípulo de Anu Nobu e profundo conhecedor da trajetória do homenageado.
À tarde, às 15h00, haverá desfile de Tabanka por Achada Grande Frente, Várzea e Achada Santo António, culminando às 16h00 com Batuku Finakadu na Tereru, na Avenida N’toni Denti D’Oru.
Por que escolher Bernardino Sena 'Pitchiu' como palestrante?
Porque ele é alguém que conhece profundamente a nossa tradição musical. Foi discípulo de Anu Nobu, outra grande referência cultural de São Domingos, e estudou a vida e a obra de N’toni. A sua intervenção vai ajudar a contextualizar o impacto artístico e social de N’toni no panorama cultural cabo-verdiano.
Esta homenagem faz parte de um projeto mais amplo?
Sim. A ideia é resgatar e valorizar figuras fundamentais da cultura são-dominguense com repercussão internacional. Começámos com uma homenagem a Anu Nobu, mestre multi-instrumentista e um dos compositores com mais obras registadas em Cabo Verde, evocada a 14 de janeiro, data da sua morte. Agora seguimos com N’toni Denti D’Oru. Depois, em Março, será a vez de Code di Dona.
Queremos criar uma dinâmica contínua de valorização da nossa memória cultural.
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