“Cabo-verdianos estão cansados da mediocridade da política sem visão”
Política

“Cabo-verdianos estão cansados da mediocridade da política sem visão”

Não é da democracia que os cabo-verdianos estão cansados, é da mediocridade da política sem visão, de um Governo que perdeu o foco e está a governar apenas para um círculo restrito de pessoas. As palavras são de Francisco Carvalho, que enfatizou o desejo de mudança da população, para recuperar a confiança nas instituições e o sentimento de propósito coletivo.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) reuniu na manhã de sexta-feira, 13, na cidade da Praia, autarcas e dirigentes nacionais, regionais e locais em um encontro de coordenação estratégica para as legislativas de 2026.

Falando aos participantes, o líder do partido, Francisco Carvalho, disse que por todos os lados que tem percorrido, sente que “o povo quer mudança para recuperar a confiança nas instituições e o sentimento de propósito coletivo” e “não está cansado da democracia, mas sim da mediocridade da política sem visão”.

O líder do PAICV fez uma viagem no tempo, recordando a vitória do partido nas eleições autárquicas de 2024, salientando o “sinal claro” dado pelos cabo-verdianos.

“O povo deu um sinal claro na altura, porque o povo estava a gritar em silêncio e os resultados acabaram por falar mais alto”, disse Francisco Carvalho, adiantando que “o país está a ser conduzido por ambições individuais em vez de uma visão coletiva” e que o Governo de Ulisses Correia e Silva “perdeu o foco nas pessoas” e em Cabo Verde, estando apenas a “governar para um círculo muito restrito, muito fechado” à sua volta.

História está, de novo, a chamar o partido

Francisco Carvalho disse, ainda, ter “confiança” no futuro do PAICV, defendendo que “a História está, de novo, a chamar o partido” que lidera, sublinhando que, “quando a História chama o PACV, o partido responde” e acrescentando: “o que a gente sente hoje na rua, nas comunidades, nas ilhas, é uma vontade crescente de um reencontro com um Cabo Verde melhor” e uma vontade de recuperar a confiança nas instituições”, salientou o líder do maior partido da oposição.

Ainda segundo Francisco Carvalho, “o país não está cansado da democracia, o cansaço manifestado pelos cabo-verdianos é outro, tem um cansaço evidente de má gestão, com falta de oportunidade para os jovens, com incapacidade de transformar potencial em desenvolvimento real”.

O líder do PAICV enfatizou que Cabo Verde “tem uma posição geoestratégica que é um grande potencial”, mas que “é preciso transformar esse potencial em projeto para mudar a vida das pessoas”, nomeadamente, apostando no setor primário, na agricultura, na criação de animais e na pesca, “para construir bases de desenvolvimento e para não ficarmos pelas estatísticas, pelos números”, que não se têm traduzido em melhorias reais na vida das pessoas.

C/TCV

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