Dia Internacional da Língua Materna destaca papel dos jovens na educação
Cultura

Dia Internacional da Língua Materna destaca papel dos jovens na educação

Num contexto em que o mundo perde uma língua a cada 14 dias, a ONU sublinha que os jovens desempenham um papel central neste processo, defendendo e revitalizando línguas, criando conteúdos digitais e utilizando as tecnologias para tornar a diversidade linguística mais visível e valorizada.

O Dia Internacional da Língua Materna, assinalado este sábado, 21, volta a chamar atenção para a importância da diversidade linguística e do multilinguismo. Segundo as Nações Unidas (ONU), são fatores essenciais para a inclusão social, o acesso equitativo à educação e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A data, inicialmente proclamada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 1999, e adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2002, destaca também os desafios persistentes enfrentados por milhões de estudantes em todo o mundo, especialmente jovens indígenas, migrantes e pertencentes a minorias linguísticas.

O tema de 2026, “Vozes jovens na educação multilingue”, reflete mudanças significativas no panorama linguístico global, influenciado pelo aumento da migração, pelo avanço tecnológico e pelo reconhecimento crescente dos benefícios cognitivos, sociais e económicos do multilinguismo.

Conteúdos digitais para tornar a diversidade linguística mais visível

A celebração deste ano da efeméride, destaca que os jovens desempenham um papel central neste processo, defendendo e revitalizando línguas, criando conteúdos digitais e utilizando as tecnologias para tornar a diversidade linguística mais visível e valorizada.

A ONU afirma que estas iniciativas reforçam a ligação entre língua, identidade, aprendizagem, bem-estar e participação social, apontando para a necessidade de sistemas educativos que reconheçam e apoiem as línguas dos alunos.

Promover a educação multilingue

Apesar dos avanços, as Nações Unidas alertam que os desafios estruturais permanecem, já que cerca de 40 porcento (%) dos alunos em todo o mundo ainda não têm acesso à educação na língua que compreendem melhor, situação que afeta de forma desproporcional jovens indígenas, migrantes e de minorias.

A ONU afirma, ainda, que reduzir esta lacuna exige políticas e práticas educativas que coloquem a educação multilingue no centro, promovendo inclusão, equidade e aprendizagem eficaz.

Iniciativas globais podem contribuir para o progresso ao incentivar ações concretas, partilhar experiências promissoras e fomentar o diálogo entre jovens, educadores e decisores políticos.

Ameaças crescentes à diversida de linguística

A diversidade linguística enfrenta ameaças crescentes associadas à globalização. Segundo a Unesco, o mundo tem 8.324 línguas faladas ou gestuais, das quais cerca de 7 mil ainda estão em uso.

No entanto, a ONU indica que apenas algumas centenas têm presença real nos sistemas educativos e na esfera pública, e menos de uma centena é utilizada no mundo digital.

A Unesco alerta para um facto alarmante: a cada duas semanas, uma língua desaparece, levando consigo património cultural e intelectual, tradições, memória e formas únicas de pensamento e expressão.

Preservar conhecimento tradicional e culturas

O Dia Internacional da Língua Materna reforça que sociedades multilingues e multiculturais dependem das línguas para transmitir e preservar conhecimento tradicional e culturas de forma sustentável.

A ONU enfatiza que cresce o reconhecimento de que as línguas desempenham um papel vital no desenvolvimento, na diversidade cultural, no diálogo intercultural, na cooperação internacional e na construção de sociedades inclusivas baseadas no conhecimento, contribuindo igualmente para a preservação do património cultural e para o avanço de educação de qualidade para todos.

C/ONU News
Foto: DR

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