
Nenhuma data, por mais simbólica que seja, constrói um país sozinha. As datas ganham sentido nas atitudes diárias: no respeito pelas instituições, na justiça social, na ética política e na defesa do bem comum. Celebrá-las é assumir o compromisso de não trair os valores que lhes deram origem. Cabo Verde é um país jovem. Honrar a sua história é preparar as novas gerações para o futuro.
Em Cabo Verde, há datas que não servem apenas para marcar o tempo. Servem para lembrar quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir. São datas que carregam história, luta e escolhas coletivas. Nada nelas nasce do vazio: cada uma é fruto de processos políticos, sociais e humanos profundos.
A primeira grande data da nossa memória nacional é 5 de julho de 1975 - a Independência Nacional. Nesse dia, Cabo Verde deixou de ser colónia para se afirmar como Estado soberano. Foi o culminar de anos de consciência política, resistência e sacrifício de muitos filh@s da terra que acreditaram que este arquipélago podia decidir o seu próprio destino. A independência deu-nos identidade, dignidade e voz no mundo, mas também nos entregou uma enorme responsabilidade: construir um país justo, unido e capaz de cuidar do seu povo.
Depois da independência, surgiu o desafio de consolidar o Estado e aprofundar os direitos dos cidadãos. É nesse contexto que se afirma o 13 de janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia. Esta data simboliza a abertura política, o pluralismo e a afirmação das liberdades fundamentais. Representa a passagem de um sistema fechado para um regime em que o povo escolhe, participa e fiscaliza.
O 13 de janeiro recorda-nos que a democracia não é um dado adquirido; é uma conquista diária que exige vigilância, responsabilidade e participação ativa. A democracia não se esgota no sistema político; ela vive também na valorização do que somos enquanto povo.
Há ainda datas que, embora não sejam exclusivamente cabo-verdianas, marcaram profundamente o nosso caminho. O 25 de abril de 1974, em Portugal, abriu portas à autodeterminação dos povos africanos de língua portuguesa. Sem essa mudança histórica, o processo de independência de Cabo Verde teria sido mais longo e mais doloroso. É uma data que nos lembra que a nossa história se construiu em diálogo com outras lutas e outros povos.
O 5 de julho e o 13 de janeiro não se anulam - completam-se. A independência deu-nos a pátria; a democracia deu-nos a liberdade de escolher caminhos diferentes dentro dessa pátria. Uma sem a outra seria incompleta.
Do ponto de vista social, existe hoje uma legítima reivindicação de maior protagonismo cívico. As datas não pertencem a partidos, governos ou grupos específicos. Pertencem à nação. Não devem ser apropriadas, mas partilhadas como património comum, capazes de unir e não de dividir.
Nenhuma data, por mais simbólica que seja, constrói um país sozinha. As datas ganham sentido nas atitudes diárias: no respeito pelas instituições, na justiça social, na ética política e na defesa do bem comum. Celebrá-las é assumir o compromisso de não trair os valores que lhes deram origem.
Cabo Verde é um país jovem. Honrar a sua história é preparar as novas gerações para o futuro.
As datas ficam no calendário!
A história vive na consciência!
E o futuro exige coerência!
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