Cruz Vermelha vai a votos após mandato exigente. Arlindo Carvalho é candidato único
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Cruz Vermelha vai a votos após mandato exigente. Arlindo Carvalho é candidato único

A Cruz Vermelha de Cabo Verde realiza nos dias 20 e 21 de Março a sua Assembleia Geral Electiva Ordinária, momento em que os delegados irão escolher os novos órgãos sociais para o próximo mandato. Arlindo Carvalho é candidato único à própria sucessão, num escrutínio que acontece após três anos marcados por desafios sem precedentes a nível nacional e internacional.

De acordo com o Relatório de Mandato 2022-25 da Cruz Vermelha de Cabo Verde, esse periodo ficou profundamente condicionado pela pandemia da COVID-19, que exigiu uma mobilização extraordinária da organização em todo o país. Desde o apoio às autoridades sanitárias na sensibilização comunitária e campanhas de prevenção, até à distribuição de kits de higiene, máscaras e bens alimentares a famílias vulneráveis, a Cruz Vermelha desempenhou um papel determinante na mitigação dos impactos sociais e económicos da crise sanitária.

Para além da pandemia, o mandato foi igualmente influenciado por fenómenos extremos associados às alterações climáticas. Episódios de chuvas intensas e tempestades, como os registados recentemente no Tarrafal de Santiago e em São Vicente, provocaram prejuízos significativos em habitações e infraestruturas, deixando várias famílias em situação de vulnerabilidade. A resposta da Cruz Vermelha passou pela avaliação rápida de danos, assistência de emergência, distribuição de alimentos, colchões, cobertores e materiais de primeira necessidade, além de apoio psicossocial às populações afetadas.

Num contexto mais amplo, marcado pelo agravamento da insegurança alimentar e pelos efeitos indiretos de conflitos armados a nível global — com destaque para a guerra na Ucrânia — Cabo Verde enfrentou pressões acrescidas sobre os preços dos produtos essenciais e sobre as condições de vida das famílias. A organização humanitária reforçou programas de assistência alimentar e de resiliência comunitária, em articulação com parceiros nacionais e internacionais, procurando reduzir o impacto das crises externas nas comunidades mais frágeis.

Ao longo dos últimos três anos, a Cruz Vermelha de Cabo Verde consolidou ainda a sua atuação nas áreas da preparação e resposta a desastres, saúde comunitária, formação em primeiros socorros e mobilização de voluntariado jovem. A aposta na capacitação institucional e na descentralização das ações permitiu uma presença mais próxima das comunidades, reforçando o papel dos comités locais como primeira linha de intervenção.

Sob a liderança de Arlindo Carvalho, a instituição afirma ter fortalecido parcerias estratégicas, melhorado mecanismos de transparência e ampliado a sua base de voluntários, num esforço para responder a um contexto cada vez mais exigente. A organização reafirma-se, assim, como um dos principais pilares da ação humanitária no arquipélago, mantendo como prioridade a proteção da vida, a promoção da dignidade humana e o apoio às populações em situação de vulnerabilidade.

A Assembleia Geral Electiva Ordinária surge, neste quadro, como um momento decisivo para a definição das próximas linhas estratégicas, num cenário em que os desafios humanitários continuam a exigir capacidade de adaptação, inovação e forte compromisso solidário.

O prazo para apresentação de candidaturas terminou na passada sexta-feira, 20, com Arlindo Carvalho, presidente em exercício, a encabeçar lista única.

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