
Obra lançada em 2021, o Governo anunciou, na ocasião, que a requalificação do Hospital da Trindade estaria pronta dentro de pouco tempo. No entanto, problemas com o financiamento ditaram um atraso de mais de quatro anos. Ontem, no parlamento, Jorge Figueiredo garantiu que as obras estarão prontas em junho ou julho deste ano, um a dois meses após as eleições de 17 de maio.
O lançamento da obra de requalificação do Hospital da Trindade aconteceu em novembro de 2021. No entanto, problemas com o financiador, levaram a um atraso de mais de quatro anos da infraestrutura de saúde avaliada em mais de 87 mil contos, financiada pelo Fundo Kuwait e pelo governo de Cabo Verde.
O ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, anunciou esta quinta-feira, 26, que o Hospital da Trindade estará pronto entre junho e julho deste ano - um a dois meses após as eleições de 17 de maio -, que será destinado a apoiar o Programa Nacional Estratégico de Saúde Mental, e não ao internamento exclusivo de doentes mentais.
A promessa de Jorge Figueiredo foi feita durante a interpelação ao Governo sobre a “política nacional de saúde”, ao ser questionado pela deputada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) Adélsia Almeida sobre a retoma do funcionamento desta unidade hospitalar.
Doentes internados em condições inadequadas
A deputada do PAICV disse que o atual serviço de tratamento na Trindade tem funcionado num espaço anteriormente destinado à lavandaria, onde os doentes estão internados em condições consideradas inadequadas, colocando em risco utentes e profissionais.
Adélsia Almeida questionou, ainda, o ministro sobre a situação do Centro da Granja, em São Filipe, que se encontra num estado avançado de degradação e que, segundo afirmou, não tem cumprido o papel de tratamento de pessoas com dependência de estupefacientes.
Por sua vez, a deputada do Movimento para a Democracia (MpD) Elisangela Semedo chamou a atenção para a situação no Hospital Regional de Santiago Norte Dr. Santa Rita Vieira, onde, segundo disse, se regista a necessidade de criação de um espaço apropriado para acompanhamento de doentes mentais.
Problemas associados ao consumo de drogas são mais complexos e desafiantes
Em resposta, o ministro da Saúde esclareceu que o Hospital da Trindade não será uma estrutura destinada a afastar doentes mentais da sociedade, mas sim um equipamento de apoio ao Programa Estratégico Nacional de Saúde Mental.
“Trindade começa realmente tarde, já está, no mês de junho a julho é uma estrutura que está pronta não para colocar doentes mentais, mas para dar apoio a ao programa Nacional Estratégico de Saúde Mental”, precisou Jorge Figueiredo.
O responsável máximo pela Saúde sublinhou que as pessoas com perturbações mentais não devem ser afastadas da sociedade, mas sim ser acompanhadas e integradas, com intervenção adequada de psiquiatras e psicólogos, e reconheceu que o problema associado ao consumo de drogas, é mais complexo e constitui um desafio crescente, mas que deve ser resolvido.
“Temos dois aspetos fundamentais ligados à pseudoquestão da saúde mental, temos pessoas que têm problemas ligados à doença saúde mental, mas também temos pessoas com comportamentos por utilização excessiva de estupefaciente, que é o grande problema hoje em dia”, explicou o ministro.
Jorge Figueiredo anunciou estar previsto o lançamento da primeira pedra para um serviço de atendimento em saúde mental no Hospital Regional de Santiago Norte, tendo em conta a pressão existente naquela região.
“Não é só um problema de Assomada, temos também este mesmo problema, até mais grave, no Sal ou na Boa Vista, que são ilhas muito pressionadas pelo desenvolvimento do turismo”, apontou Figueiredo.
O ministro da Saúde informou, ainda, que o Plano Estratégico Nacional de Saúde Mental já está elaborado e aprovado, devendo ser apresentado à sociedade civil de modo a promover uma resposta articulada.
De recordar que a extensão da Trindade do Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto é um edifício construído nos anos 80, cujas obras de requalificação colocarão ao serviço da população uma infraestrutura de saúde com cinco blocos, incluindo uma área administrativa, uma enfermaria e um bloco técnico, mas também áreas para cozinha e oficinas ocupacionais.
C/Inforpress
Foto: Captura de imagem/AN TV
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