
É urgente resgatar Santiago Norte, mudar a forma de governar, mudar a visão e abrir novos caminhos de desenvolvimento - devolvendo esperança às famílias e futuro aos jovens, para que, de facto, Santiago Norte e Cabo Verde sejam de todos e para todos. É mais do que urgente um Plano Estratégico para Santiago Norte, com agronegócio, indústria e turismo na vanguarda. Porque ¼ da população cabo-verdiana merece respeito. E respeito, em política, mede-se por uma coisa: resultados.
O país é chamado a votar no próximo 17 de maio para escolher o próximo Primeiro-Ministro. Santiago Norte não pode votar no vazio. É tempo de exigir respostas, projetos, programas, metas - e, sobretudo, respeito. Respeito pela 2.ª região política do país. Respeito pela casa de ¼ da população cabo-verdiana. Respeito pela região com mais municípios - Santa Catarina, Santa Cruz, Tarrafal, São Miguel, São Lourenço dos Órgãos e São Salvador do Mundo. Respeito, ainda, pela região que concentra enormes potencialidades na agricultura, pecuária, pesca, turismo e indústria.
Há 10 anos, Ulisses Correia e Silva venceu as eleições legislativas e apresentou compromissos para desenvolver Santiago Norte, listando as 12 propostas seguintes:
1. Criar o Parque Tecnológico de Agropecuária;
2. Oferecer apoio e infraestruturas para o comércio informal;
3. Aumentar a exportação para o mercado nacional e turístico;
4. Construir um centro de saúde de primeiro nível, altamente equipado e provido de recursos humanos qualificados;
5. Promover um amplo programa de reforma urbanística, abrangendo todas as cidades do interior;
6. Construir portos de recreio e de pesca;
7. Abrir estradas de acesso em toda a região;
8. Qualificar Assomada, transformando-a em capital regional;
9. Implantar redes sanitárias e obras hidráulicas;
10. Investir na prevenção com o Programa Médico da Família;
11. Promover o diagnóstico precoce dos cancros da mama, próstata, colo do útero e do tubo digestivo;
12. Reduzir o tempo de espera no atendimento à saúde.
Entretanto, no final do 2.º mandato, com dez orçamentos aprovados e a poucos meses das eleições, impõe-se uma pergunta que não pode ser evitada: quais são, afinal, as marcas e os projetos estruturantes que Ulisses Correia e Silva deixa para Santiago Norte?
Na saga das promessas, assumiu também o compromisso de criar 45 mil empregos dignos. Era suposto que Santiago Norte - em especial os jovens - tivesse a sua quota-parte dessa promessa nacional. Todavia, volvidos quase dez anos de governação e a poucos meses das legislativas, o sentimento dominante na região é duro e claro: a população foi enganada.
A situação social das famílias é cada vez mais difícil. Não há emprego, não há esperança. Santiago Norte é a região que mais perdeu população. A emigração forçada e o êxodo rural tornaram-se resposta amarga à falta de oportunidades. E isso fere a nação: enfraquece o desenvolvimento regional, agrava as assimetrias e corrói a coesão social.
O mercado de trabalho em Santiago Norte é desafiador, e só quem está realmente comprometido com as famílias trabalha para vencer esses desafios. O PAICV, enquanto governo, investiu em setores estruturantes como agricultura, pecuária e saúde e infraestruturou a região, lançando bases para o salto necessário ao seu desenvolvimento.
Ulisses Correia e Silva ignorou essas bases e apostou no PRRA, que, como ficou comprovado, não garante emprego, muito menos emprego digno, e não contribuiu para desenvolver a região nem para alavancar as suas grandes potencialidades.
Santiago Norte é o celeiro de Cabo Verde. A principal atividade das famílias é a agricultura, ocupando lugar central na economia familiar e dinamizando a economia local. Para o setor agrícola, Ulisses Correia e Silva prometeu - ou melhor, comprometeu-se - com medidas que trariam ganhos diretos para a região: a criação do Parque Tecnológico de Agropecuária e o aumento da exportação para o mercado nacional e turístico. E, de forma indireta, assumiu compromissos com impacto direto na agricultura: estradas de acesso em toda a região e apoio e infraestruturas para o comércio informal.
Mas estes compromissos não passaram de palavras. Santiago Norte foi empurrado para a margem. O Governo abandonou os homens e as mulheres do campo - agricultores, criadores de gado, produtores, comerciantes e rabidantes — à sua própria sorte. Não houve investimento estratégico, nem uma transformação notável no setor agropecuário capaz de fixar pessoas, criar rendimento e dar dignidade ao trabalho rural.
Não obstante a importância do setor para a sustentabilidade das famílias, os gastos do Estado com a agricultura diminuíram consideravelmente desde 2016 e o mundo rural perdeu mais de 20 mil empregos no setor primário.
Um governo digno do nome que ostenta presta contas: apresenta resultados, mostra o que executou do seu programa e explica o que falhou e porquê. Era isso que se esperava ao fim de quase dez anos. Mas, em vez de balanço sério, Cabo Verde assiste a uma peregrinação de promessas repetidas - “vamos fazer”, “vamos avançar”- como se uma década não tivesse passado.
Essa postura tem um nome: irresponsabilidade política. Irresponsabilidade para com Santiago Norte. Irresponsabilidade para com Cabo Verde. Irresponsabilidade para com as famílias e para com os jovens.
Por isso, é urgente resgatar Santiago Norte, mudar a forma de governar, mudar a visão e abrir novos caminhos de desenvolvimento - devolvendo esperança às famílias e futuro aos jovens, para que, de facto, Santiago Norte e Cabo Verde sejam de todos e para todos.
É mais do que urgente um Plano Estratégico para Santiago Norte, com agronegócio, indústria e turismo na vanguarda. Porque ¼ da população cabo-verdiana merece respeito. E respeito, em política, mede-se por uma coisa: resultados.
*Presidente da CPR do PAICV em Santiago Noirte e Deputada da Nação
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