Cemitérios judaicos de Santo Antão entram numa nova fase de preservação e integração turística
Cultura

Cemitérios judaicos de Santo Antão entram numa nova fase de preservação e integração turística

Os cemitérios judaicos da Ponta do Sol e Penha de França entram numa nova fase de preservação, e integração turística, na sequência da deslocação a Santo Antão da presidente do Cape Verde Jewish Heritage Project (CVJHP).

Em declarações à Inforpress, Carol Castiel explicou que a visita tem como principal objectivo retomar, no terreno, os trabalhos de manutenção destes espaços históricos, restaurados em 2018, mas que necessitam agora de nova intervenção ao nível da limpeza, conservação e reforço da sinalização.

Aquela responsável manteve encontros com a Câmara Municipal da Ribeira Grande, presidida por Armindo da Luz, bem como com técnicos municipais e o Gabinete do Turismo, no sentido de definir um plano de acção articulado para garantir a preservação contínua dos dois cemitérios.

Segundo a mesma fonte, os trabalhos incluem a remoção de ervas daninhas e resíduos, polimento das sepulturas, aplicação de camadas de cal e manutenção das placas históricas em bronze, com informações em português e inglês.

Paralelamente, Carol Castiel adiantou que estão a ser elaboradas regras de visita em português, francês e inglês, com o objectivo de orientar os visitantes e salvaguardar a integridade deste património nacional, cultural e histórico, cada vez mais procurado por turistas estrangeiros.

Segundo a presidente do projecto, a intenção é assegurar que os cemitérios permaneçam abertos durante o dia, com mecanismo de fecho nocturno, permitindo visitas organizadas e individuais, mas salvaguardando a integridade dos espaços.

A organização pretende igualmente reforçar a sensibilização dos visitantes para práticas responsáveis, de modo a proteger as campas em mármore e outros materiais sensíveis.

Esta nova fase contempla ainda a instalação de sinalização direccional nas estradas e trilhos, nomeadamente na zona de Fontainhas e no acesso à Penha de França, facilitando a identificação dos locais por parte de caminhantes e turistas que percorrem a ilha.

Carol Castiel avançou que está igualmente prevista a introdução de códigos QR nos dois cemitérios, permitindo aos visitantes aceder, através de dispositivos móveis, a conteúdos digitais mais aprofundados sobre a presença judaica em Santo Antão no século XIX e o contributo das famílias que aqui se estabeleceram para o desenvolvimento económico da ilha.

“Numa etapa posterior, poderá avançar-se com a sinalização de antigas residências e estabelecimentos comerciais na Rua Direita, na Ponta do Sol, com vista à criação de um circuito histórico urbano associado à herança judaica”, salientou.

Com esta intervenção, a mesma fonte acentuou que o CVJHP pretende consolidar a cooperação com a autarquia e integrar de forma estruturada os cemitérios judaicos na estratégia de turismo cultural e sustentável de Santo Antão, valorizando a memória histórica e reforçando a projecção deste património singular.

A presença dos judeus em Santo Antão remonta ao século XV, quando muitos buscavam refúgio em terras que ofereciam a promessa de liberdade religiosa.

Ao longo dos anos, essa comunidade desempenhou um papel significativo na formação da identidade cultural de Santo Antão, contribuindo para o seu desenvolvimento económico e social.

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