
A dívida do Estado à Águabrava pelo fornecimento de água aos agricultores e criadores de gado a custo inferior à produção, atinge atualmente cerca de 400 mil contos. E a dívida está a condicionar a capacidade financeira da empresa para investir na melhoria da rede, reforçar infraestruturas e responder com maior eficácia às falhas no sistema.
A Comissão Política Regional do Fogo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) denunciou esta segunda-feira, 24, que a dívida do Estado à Empresa Intermunicipal de Águas (Águabrava) pelo fornecimento aos agricultores e criadores de gado de água a custo inferior à produção, atinge atualmente cerca de 400 mil contos.
A informação foi avançada pelo presidente da CPR, Luís Nunes, que denunciou os frequentes corte de energia na ilha, provocando um efeito em cadeia com graves consequências no abastecimento de água, principalmente nas zonas altas do concelho de São Filipe, mas também nos municípios dos Mosteiros e de Santa Catarina.
A Águabrava tem a responsabilidade de assegurar o abastecimento de água nas ilhas do Fogo e da Brava, fornecendo a agricultores e criadores de gado a um preço abaixo do custo real, cabendo ao Governo compensar essa diferença. Contudo, segundo informação avançada por Luís Nunes, a dívida do Estado à empresa atinge, atualmente, cerca de 400 mil contos, um montante considerado “elevado e preocupante”, que condiciona a capacidade financeira da Águabrava para investir na melhoria da rede, reforçar infraestruturas e responder com maior eficácia às falhas no sistema.
Dívida do Estado está a paralisar a empresa, a prejudicar a economia e as famílias
Segundo o líder regional do PAICV, caso o pagamento tivesse sido efetuado atempadamente, a empresa poderia dispor de recursos suficientes para minimizar os impactos dos mais recentes cortes de energia e avançar com soluções estruturais para o abastecimento de água.
É que a interrupção no fornecimento de eletricidade paralisa as estações de bombagem responsáveis por transportar água para as localidades situadas em zonas elevadas, referiu Luís Nunes, acrescentando que “sem energia, as bombas deixam de funcionar, os reservatórios não são reabastecidos e, em poucas horas, populações inteiras ficam privadas de um recurso essencial”.
Esta situação está a comprometer a prestação dos serviços públicos, estabelecimentos comerciais e atividades agrícolas, com famílias a recorrem a soluções improvisadas, muitas vezes dispendiosas, para garantir água para consumo e uso doméstico.
Luís Nunes adiantou que os agricultores e pequenos produtores enfrentam perdas diretas na produção e no rendimento devido à instabilidade no fornecimento de água.
A crise hídrica é igualmente associada à ausência de novas perfurações e à insuficiência de investimentos na captação e reforço dos recursos subterrâneos.
“Numa ilha marcada pela irregularidade das chuvas e períodos prolongados de seca, a gestão da água exige planeamento estratégico e introdução de novas formas de disponibilização de água, nomeadamente através da dessalinização”, defendeu Luís Nunes, para quem, sem essas novas soluções, a capacidade de resposta torna-se limitada e vulnerável.
C/Inforpress
Foto: Águabrava
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