Unicef divulga dicas para proteger seus filhos na internet
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Unicef divulga dicas para proteger seus filhos na internet

O Fundo das Nações Unidas para a Infância divulgou hoje um guia sobre proteção parental de crianças na internet. A agência da ONU salienta riscos e preocupações desde a privacidade digital até a segurança online e conteúdo prejudicial. A tecnologia traz benefícios, mas não está isenta de alertas e perigos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou esta segunda-feira, 23, um guia para pais e encarregados de educação de crianças que utilizam a internet.

Segundo a Unicef, criar filhos na era digital não é uma tarefa fácil, uma vez que é preciso acompanhar o ritmo das tecnologias e equilibrar riscos e oportunidades que elas trazem.

Falar de forma aberta e sincera

Para produzir o guia com recomendações e conselhos, o Unicef consultou a especialista em parentalidade digital, Jacqueline Nesi. Doutora em Psicologia, ela é professora assistente de Psiquiatria e Comportamento Humano, na Universidade de Brown, nos Estados Unidos.

Para Nesi, é preciso que pais e encarregados de educação comuniquem com regularidade e desde muito cedo sobre o papel da tecnologia na vida da família. E a primeira dica é perguntar aos filhos sobre os dispositivos eletrónicos que utilizam, do que eles gostam ou não gostam na internet, e falar sobre os riscos no uso da tecnologia de forma aberta e sincera.

Outro tema abordado pela psicóloga é a imposição de limites sobre conteúdos e o que se pode ou não pode fazer no computador ou telefones móveis, assim como o que compartilham ou encontram online.

O guia do Unicef lembra que é preciso criar zonas livres de tecnologia para as crianças, ou seja, o momento de ficar longe da internet definindo horários para outras atividades.

Para a psicóloga, nem tudo é culpa da tecnologia e é preciso estar atento ao comportamento e sentimentos dos filhos.

Permissão para baixar aplicativos e plataformas

E se a criança ou adolescente ainda não tem 18 anos, os pais podem e devem decidir que aplicativos são baixados nos dispositivos dos filhos que, por sua vez, precisam pedir permissão para utilizar as plataformas.

Acompanhe os 10 pontos recomendados por Jacqueline Nesi no tema: Comunique-se com frequência e desde cedo sobre o papel da tecnologia na vida da sua família.

Faça perguntas ao seu filho ou filha

Indague as crianças ou adolescentes sobre os dispositivos eletrónicos da mesma forma que faria sobre qualquer outra atividade que estejam realizando. Descubra o que eles gostam, o que não gostam, com que frequência os usam e o que está funcionando.

Discutir riscos do uso da tecnologia

Converse sinceramente com seus filhos sobre as suas preocupações, como o facto de os dispositivos atrapalharem outras atividades, as preocupações com o conteúdo que eles podem ver ou as coisas que podem fazer online.

É importante dizer explicitamente (e com frequência!) que queremos que eles nos procurem se encontrarem dificuldades online. Você pode tentar dizer algo como: "Pode ser muito difícil saber como lidar com todas as situações que surgem quando você está online. Você pode se deparar com coisas confusas ou perturbadoras, e eu quero que você venha falar comigo quando isso acontecer para que possamos descobrir juntos como lidar com elas."

Segurança na navegação

Também queremos estar atentos à forma como reagimos quando nossos filhos nos procuram com algum problema. Como pais, pode ser surpreendente e até assustador quando nossos filhos compartilham algo que encontraram online. É tentador querer intervir imediatamente e dizer-lhes o que fizeram de errado ou tirar o dispositivo para mantê-los seguros. Mas uma boa resposta inicial nessa situação é dizer: "Muito obrigado por me contares isso". Isso aumenta a probabilidade de nosso filho nos procurar da próxima vez que enfrentar desafios online.

Fique atento à maneira como as crianças usam seus dispositivos

É importante não culpar tudo à tecnologia. Às vezes, há outras coisas acontecendo que se manifestam na maneira como as crianças usam seus dispositivos. Por exemplo, se você tem um adolescente que passa muito tempo nas redes sociais atualizando seu feed, talvez seja interessante iniciar uma conversa sobre o que realmente está acontecendo. Pode estar relacionado às preocupações dele sobre o que os outros pensam dele, ou pode não estar se sentindo confiante na escola ou com seus colegas.

Estabeleça limites que façam sentido para sua família.

Estabelecer regras de “sim” e “não”

As regras de “sim” são coisas que seu filho deve fazer. Como você quer que ele se comporte online? O que significa ser um bom cidadão digital? Como é o uso “saudável” da tecnologia na sua família? As regras de “não”, por outro lado, são coisas que você não quer que ele faça (como praticar bullying) ou coisas que ele não deve fazer por motivos de segurança online (como divulgar informações pessoais).

Erros e cidadania na internet

Converse com seus filhos sobre o facto de que erros acontecem e que está tudo bem eles ainda estarem aprendendo e praticando uma boa cidadania digital. Para algumas famílias, pode ser útil deixar seu filho saber que ele não estará “em apuros” se vier até você com qualquer dificuldade que esteja enfrentando e for honesto.

Zonas livres de tecnologia

Um limite que pais e encarregados de educação podem criar em família é definir horários do dia ou locais livres de tecnologia. Também podem criar um lugar ou “estação de carregamento” onde guardam seus dispositivos durante o período sem tecnologia. Uma prática útil é garantir que os aparelhos eletrónicos estejam fora do quarto em determinados horários da noite. Dormir é extremamente importante, e os aparelhos eletrónicos podem atrapalhar isso.

Estabeleça expectativas quanto aos conteúdos

É importante garantir que o conteúdo a que seus filhos têm acesso online seja apropriado para a idade e o seu desenvolvimento. Para crianças menores e adolescentes, sugira que eles peçam sua permissão antes de baixar qualquer aplicativo novo ou entrar em qualquer plataforma. Você também pode considerar usar os controlos parentais disponíveis [como limites de tempo de tela, compras no aplicativo, filtragem de conteúdos, etc…].

Esteja ciente do uso que seus filhos fazem dos dispositivos.

Explorar juntos a tecnologia

Experimentem assistir e usar juntos a tecnologia com crianças de todas as idades. Isso significa simplesmente assistir ou usar a tecnologia junto com seus filhos. Isso pode incluir assistir a um programa juntos e conversar com eles sobre isso. Para uma criança mais velha, peça que ela mostre o que está fazendo online – o que lhe interessa e quais aplicativos ela gosta de usar.

Recuar um passo

Em alguns casos, você pode querer monitorar o que seu filho está fazendo no dispositivo – desde que você o avise com antecedência. Isso é especialmente importante para crianças pequenas ou para aquelas que estão começando a usar um novo dispositivo (como um telemóvel) pela primeira vez. À medida que as crianças crescem e ganham mais experiência com seus dispositivos, você pode dar a elas mais independência, adequada à idade e ao estado de desenvolvimento. No entanto, é sempre importante estar ciente do que elas estão fazendo online.

Seja um modelo de hábitos saudáveis ​​para seus filhos.

Trabalhar em equipa

É importante que os pais estejam cientes de como (e com que frequência) usamos nossos próprios dispositivos – e isso é difícil! Mas unir-se aos seus filhos para estabelecer hábitos e limites saudáveis ​​é uma boa oportunidade para sair da dinâmica de "eu contra você" em que os pais, muitas vezes, caem com seus filhos. E, em vez disso, trabalhar para criar uma dinâmica de "nós juntos contra os desafios inerentes a essas tecnologias"

Tornar tudo divertido

Existem muitas maneiras de usar a tecnologia para facilitar brincadeiras e momentos de diversão com seus filhos. Pode ser usando um aplicativo ou jogando um jogo juntos. Você também pode procurar vídeos com ideias de jogos ou para explorar hobbies e interesses.

C/ONU News

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Redação

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