Somália: Cerca de 1,84 milhão de crianças sofrem de má nutrição aguda
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Somália: Cerca de 1,84 milhão de crianças sofrem de má nutrição aguda

A Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), aponta para uma deterioração significativa da situação desde agosto do ano passado. A análise estima que 6,5 milhões de pessoas enfrentarão níveis elevados de insegurança alimentar aguda entre fevereiro e março de 2026, quase o dobro do registrado no início de 2025.

A análise mais recente da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), na Somália, estima que 6,5 milhões de pessoas enfrentarão níveis elevados de insegurança alimentar aguda entre fevereiro e março de 2026, quase o dobro do registrado no início de 2025; cerca de 1,84 milhão de crianças sofrem de malnutrição aguda. A análise aponta para uma deterioração significativa da situação desde agosto do ano passado.

O quadro trágico é impulsionado pela seca agravada, pelo conflito armado persistente, pelas deslocações das populações e pelos preços elevados dos alimentos.

Após progressos temporários associados a melhores períodos de chuva, em 2023 e 2025, a fraca pluviosidade, entre outubro e dezembro passados, resultou em colheitas perdidas nas regiões agro-pastoris e ribeirinhas, bem como na rápida escassez de pastagens e água.

Durante a estação seca de Jilaal, entre fevereiro e março de 2026, estima-se que 6,5 milhões de pessoas, cerca de 33 porcento (%) da população analisada, esteja em Fase 3 ou superior da IPC, considerada situação de crise ou mais grave.

Deste total, mais de 2 milhões de pessoas encontram-se na Fase 4, enfrentando lacunas alimentares críticas e níveis elevados de malnutrição aguda. Cerca de 4,45 milhões estão na Fase 3, incapazes de satisfazer necessidades alimentares essenciais.

Em janeiro de 2026, mais de 4,8 milhões de pessoas já enfrentavam níveis elevados de insegurança alimentar, incluindo aproximadamente um milhão e duzentos em Fase 4, representando um aumento de 41% face ao mesmo período de 2025.

A mais baixa produção agrícola de sempre desde 1995

A temporada de chuvas de 2025 falhou na maior parte do país, com precipitação substancialmente abaixo da média.

A produção de cereais no sul da Somália é estimada em 15,6 mil toneladas, o nível mais baixo desde 1995 e 83% abaixo da média de longo prazo.

A escassez de pastagens e água afetou amplamente os meios de subsistência. A deterioração das condições do gado, a baixa taxa de reprodução e a redução significativa da produção de leite limitaram o acesso a alimentos e rendimentos.

Cerca de 3,4 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente na Somália. Entre julho e dezembro de 2025, aproximadamente 278 mil pessoas foram deslocadas, principalmente devido ao conflito.

No ano passado, foram registrados 5.645 incidentes de segurança no país, um aumento de 75% face a 2024, resultando em 4.130 mortes.

Entre dezembro de 2025 e março de 2026, projeta-se que cerca de 212 mil pessoas sejam deslocadas internamente, das quais 64% devido à seca e 36% devido a conflito.

O relatório estima que, este ano, 1,84 milhão de crianças entre 6 e 59 meses sofram de má nutrição aguda, incluindo 483 mil casos de má nutrição severa, que requer tratamento médico urgente.

Em janeiro, 18 dos 48 distritos analisados estavam classificados em Fase 4 e 19 em Fase 3. Prevê-se que o número de áreas em Fase 3 e 4 aumente para 38 entre fevereiro e março, e para 45 entre abril e junho, período que coincide com o pico sazonal da má nutrição no país.

Segundo a análise, deslocados internos estão entre os grupos mais afetados, enfrentando deterioração significativa do estado nutricional, agravada pela insegurança alimentar, elevada prevalência de doenças e acesso reduzido a serviços de saúde e nutrição.

C/ONU News
Foto: Unicef Somália

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