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Por: José Maria Neves*

Cabo Verde é um país que se respeita. Sempre teve uma política externa hábil, pragmática, neutra e orientada para o desenvolvimento. Por isso mesmo afirmou-se, desde muito cedo, pelo seu prestígio na arena internacional, em grande parte por causa da boa gestão dos recursos públicos, particularmente os resultantes da ajuda pública, como um país útil. As inovações na gestão da ajuda alimentar, a contribuição para a independência da Namíbia e o fim do apartheid na África do Sul, o Acordo de Cooperação Cambial com Portugal, a Parceria Especial com a União Europeia, os exercícios militares da Nato, os compactos do Millennium Challenge Account são, a um tempo, exemplos de pragmatismo, de neutralidade, de argúcia e de utilidade no campo mundial.

Insisto nesta ideia: as relações externas, num pequeno estado arquipélago, dado à exiguidade do território e de recursos, são recursos estratégicos. Não se pode desperdiçar o enorme património de confiança e de prestígio já por nós acumulado, desde a independência em 1975.

Apesar dos constrangimentos inerentes, Cabo Verde sempre se respeitou e em nenhum momento foi subserviente face aos outros.

Vem este arrazoado a propósito da visita relâmpago a Cabo Verde, no último dia oficial da campanha eleitoral, do candidato presidencial da Guiné Bissau (as eleições terão lugar no próximo Domingo, 24) , apoiado pelo Movimento da Alternância Democrática (MADEM-G15), uma dissidência do PAIGC, Umaru Sissoko Embaló. Chegou num Jato particular (a Guiné Bissau é um dos países mais pobres do mundo), encontrou-se com o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, o Presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, e alguns, poucos, militantes do seu partido, na Praia. Na sequência dos encontros, teceu duras críticas ao PAIGC, que considerou ser o cancro e o eixo do mal da Guiné Bissau. Segundo ele, em Cabo Verde, o eixo do mal é o PAICV, e regozijou-se com a sua derrota nas eleições de 2016.

Sissoko Embaló imiscuiu-se grosseiramente nos assuntos internos de Cabo Verde, desrespeitando gravemente o PAICV, um dos pilares da democracia. Os mais altos dignatários do país que o receberam deviam, no mínimo, exigir-lhe um pedido de desculpas.

Cabo Verde é um Estado de Direito Democrático, as instituições funcionam e são respeitadas. Os partidos políticos são pessoas de bem e esteios essenciais das liberdades civis e políticas e da democracia. Não se pode permitir que venha um candidato de outro país, ainda que amigo, contaminar o espaço político, maltratar os partidos políticos com assento parlamentar, e instigar a intolerância, a violência e o medo.

Só quem não se respeita e não tem sentido de estado pode permitir tamanho despautério.

Ainda vamos a tempo de reparar essa desconsideração ao nosso país e às suas instituições democráticas.

Ainda vamos a tempo de exigir um pedido público de desculpas.

* Artigo publicado pelo autor no Facebook.



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Comentários  

+1 # Terra-terra 23-11-2019 15:41
Deixar que a Guine-Bissau trate sozinha dos seus assuntos internos e um dfdesperdicio dos recursos das organizacoes internacionais desde a sua independencia em 1974. Um cambafa de semiletrados vindos do mato e seus descendentes, obsecados pelo poder, principalmente para facilitar a vida aos narcotraficantes. Enquanto isso, a comunidade internacional contonua gastando recursos, na rdpetanca de que um dia alguma coida melhore. O senso comum diz que de pau que nasceu torto ate o carvao sera torto. Oxala que nao estejamos perante rsse caso. Forca Guine!
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-6 # Ami Baldé 23-11-2019 10:38
A Guiné não é vossa praça, camarada Zé! Tantas e tantas vezes vens intrometendo nos nossos assuntos, achando-se douto de toda espécie de matéria. Por favor, vá tratar do seu PAICV que está moribundo, e deixe que sejamos nós, os guinienses, a decidir o que achamos ser o melhor para a nossa terra.
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