
O Presidente dos EUA afirmou que tomaria o território de qualquer forma. As lideranças parlamentares mencionam direito internacional e rechaçam interferência externa: “futuro da ilha cabe ao povo gronelandês”.
“Não somos americanos, não somos dinamarqueses, somos gronelandeses”, assim começa o comunicado divulgado nesta sexta-feira, 09 por cinco partidos da Gronelândia, em resposta à escalda de ameaças dos Estados Unidos da América (EUA) de anexar a ilha, desde há 300 anos um protetorado da Dinamarca.
No comunicado, as forças políticas locais afirmam que “o futuro da Gronelândia cabe ao povo decidir. De acordo com o direito internacional e com base na Lei de Independência, desenvolvemos esta abordagem e a desenvolveremos em consulta com os habitantes”.
85% dos habitantes da ilha não se querem unir aos EUA
Mais adiante, pode ler-se que “nenhum outro país pode interferir nisso” e que o futuro deve ser decidido “sem pressão para tomar uma decisão precipitada, sem procrastinação e sem interferência de outros países”.
O comunicado é assinado pelo ex-primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen; seu antecessor Múte B Egede; e pelos parlamentares Pele Broberg, Aleqa Hammond e Aqqalu C Jerimiassen.
Segundo uma pesquisa, encomendada pelo jornal dinamarquês Berligske e divulgada em janeiro de 2024, 85% dos habitantes da ilha não se querem unir aos EUA.
Trump ameaça
O presidente norte-americano, Donald Trump, alega que controlar a ilha é crucial para a segurança nacional dos EUA, apontando um suposto aumento da presença militar da Rússia e da China no território.
“Não vamos deixar a Rússia ou a China ocuparem a Gronelândia. É isso que vão fazer se não fizermos nada. Então, vamos tomar alguma providência em relação à Gronelândia, seja da maneira amigável ou da maneira mais difícil”, reiterou Trump, nesta sexta-feira
A alegação foi imediatamente contestada pelo chanceler dinamarquês Lars Løkke Rasmussen: “não compartilhamos da ideia de que a Gronelândia esteja inundada por investimentos chineses”.
Paralelamente, especialistas apontam para as ameaças aos direitos indígenas e os riscos ambientais de uma exploração predatória dos recursos da região pelos EUA, como a aceleração do degelo no Ártico, o que poderia afetar o mundo inteiro.
C/Opera Mundi
Foto: DR
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