
Reagindo a nova ameaça de Donald Trump, que reiterou a intenção da sua administração em anexar a Gronelândia, Jens Frederik Nielsen disse que a ilha ártica está aberta ao diálogo, mas exige respeito pelo Direito Internacional e pelos canais diplomáticos. Por sua vez, o embaixador de Copenhaga em Washington afirmou que o seu país espera “respeito total da integridade territorial do Reino da Dinamarca”.
Reagindo ao reiterado destempero de Donald Trump, após nova ameaça de anexação feita pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, voltando a defender que a ilha ártica deveria fazer parte do território americano, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens Frederik Nielsen, foi bem claro: “Já chega!”.
A reação aconteceu esta segunda-feira, 05, juntando-se à do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que rebateu ameaças e acusações de Trump, após os ataques à Venezuela, de que efetuar uma operação militar na Colômbia "soava bem".
“Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”, escreveu em seu perfil na rede social Facebook o primeiro-ministro groenlandês.
Trump quer roubar riquezas naturais
No último domingo, na sequência do ataque à Venezuela e captura de Nicolás Maduro, Donald Trump reiterou a ameaça de anexar a Gronelândia, um território autónomo ligado à Dinamarca e considerado “estratégico” pelas suas riquezas naturais.
A reiterada intenção de anexação, avançada pelo inquilino da Casa Branca, ocorreu pesem os reiterados apelos das autoridades locais e do governo de Copenhaga (a capital da Dinamarca) para que o presidente norte-americano respeite a integridade territorial da ilha, sendo entendida como uma ameaça belicista à integridade territorial Gronelândia.
Trump não descarta uso da força para controlar a Gronelândia
Por sua vez, o embaixador da Dinamarca nos EUA exigiu "respeito total" à integridade territorial da Gronelândia, após a esposa de um assessor de Donald Trump compartilhar uma imagem da ilha ártica dinamarquesa com as cores da bandeira norte-americana.
O post foi publicado após Washington atacar a Venezuela e capturar o presidente Nicolás Maduro, levando-o à força para Nova Iorque. Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicou a foto no sábado, no seu perfil na rede social X (ex-Twitter) acompanhada de uma breve legenda em letras maiúscula: "SOON" ("em breve").
Desde o seu regresso à Casa Branca em janeiro último, Donald Trump afirmou em repetidas ocasiões que os EUA "necessitam" deste território autónomo da Dinamarca, rico em recursos naturais, por razões de segurança, e negou-se a descartar o uso da força para controlá-lo.
A publicação de Katie Miller - que foi durante um tempo assessora e porta-voz da comissão para a eficácia governamental Doge, então dirigida por Elon Musk - também foi produzida após o exército dos EUA capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, durante uma incursão militar que incluiu bombardeios sobre a capital, Caracas, e outras regiões do país.
Respeito total pela integridade do Reino da Dinamarca
"Um pequeno lembrete amigável sobre os Estados Unidos e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal", disse Jesper Møller Sørensen, embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, em resposta à mensagem de Katie Miller, acrescentando: "E sim, esperamos o respeito total da integridade territorial do Reino da Dinamarca”, escreveu o embaixador.
Especialistas consideraram que a operação na Venezuela é uma advertência aos aliados dos EUA preocupados com as ameaças de Trump em se apoderar de recursos estratégicos, começando por sua declaração voluntária de anexação da Gronelândia.
O presidente norte-americano deixou claro o interesse no petróleo venezuelano e, na coletiva que concedeu em sua residência na Flórida ainda no sábado, garantiu que empresas petrolíferas americanas vão assumir a produção e a exploração em solo venezuelano. Nos últimos meses, o governo dos EUA roubou barcos carregados com petróleo que deixavam o país latino-americano.
“Nossas grandes petrolíferas, as maiores de qualquer lugar no mundo, vão entrar […] e começar a fazer dinheiro para o país”, disse Trump logo no início da comunicação à imprensa, durante a entrevista coletiva na sua residência particular de Mar-a-Lago. O recado foi dado a todo o mundo e os receios aos destemperos do inquilino da Casa Branca avolumam-se.
C/O Globo/AFP
Foto: Facebook/Jens Frederik Nielsen
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