Pub
Por: José Maria Neves

 JMN1

Enchi-me de alegria quando a TCV anunciou a série de entrevistas com os líderes dos partidos da oposição com representação parlamentar, António Monteiro, da UCID, e Janira Hopffer Almada, do PAICV, e o líder da maioria, José Ulisses Correia e Silva.

Governo pela discussão, como escreveu Giovanni Sartori, a democracia requer debates de ideias e confrontos de propostas alternativas de governação. Por meio de eleições regulares, concorrenciais, livres e transparentes, o povo soberano escolhe periodicamente aqueles que governam e aqueles que devem fazer oposição. O sal da democracia representativa é esse salutar confronto entre o poder e a oposição, podendo esta tornar-se majoritária nas eleições seguintes. Por outras palavras, a democracia alimenta-se da luta das ideias e da possibilidade de alternância.

Para além dos debates no Parlamento, centro vital da democracia, a comunicação social também funciona como importante espaço de discussão, de participação dos cidadãos e da sociedade civil e de controlo do exercício do poder.

Daí a minha imensa satisfação quando os debates foram anunciados. Na verdade, ainda somos uma democracia de baixa intensidade, com muito poucos debates entre sensibilidades políticas diferentes.

Fiquei, todavia, absolutamente defraudado, quando, logo após a entrevista à Drª Janira Hoppfer Almada, líder do PAICV, a jornalista anunciou que no programa seguinte iria estar presente não o líder da maioria, mas o Secretário Geral do MPD.

Que razões levaram o Primeiro Ministro e Presidente do MPD a faltar à chamada? Não quero especular, mas essa ausência desvirtua a essência do debate no regime parlamentar: às interpelações ao Governo dos lideres dos partidos da oposição com representação parlamentar deve responder o líder da maioria, que é quem assumiu perante os cidadãos eleitores os compromissos vazados no Programa do Governo e que são a todo o momento passível de escrutínio e de contestação por parte dos partidos, que têm importantes funções institucionais e representativas, e da sociedade civil e dos cidadãos.

Na minha modesta opinião, a ausência do PM nestes e noutros debates representa fuga à prestação de contas e desprezo à oposição democrática e aos partidos políticos.

A democracia é frágil como uma rosa. Deve ser cuidada porque quando maltratada ou desprezada, as pétalas rapidamente murcham.

Outrossim, no exercício do poder democrático, não podemos preferir apenas as pétalas, esquecendo-se que as rosas também têm espinhos.

Artigo publicado pelo autor no facebook



APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

A crise na imprensa mundial, com vários jornais a fechar as portas, tem um denominador comum: recursos financeiros. Ora, a produção jornalística, através de pesquisas, entrevistas, edição, recolha de imagens etc. Tem os seus custos. Enquanto está a ler e a ser informado, uma equipa trabalha incessantemente para levar a si a melhor informação, fruto de investigação apurada no estrito respeito pela ética e deontologia jornalisticas que caracterizam a imprensa privada, sobretudo.

Neste momento em que a informação factual é uma necessidade, acreditamos que cada um de nós merece acesso a matérias precisas e de interesse nacional. A nossa independência editorial significa que estabelecemos a nossa própria agenda e damos nossas próprias opiniões. O jornalismo do Santiago Magazine está livre de preconceitos comerciais e políticos e não é influenciado por proprietários ou accionistas ricos. Isso significa que podemos dar voz àqueles menos ouvidos, explorar onde os outros se afastam e desafiar rigorosamente aqueles que estão no poder.

Portanto, se quiser ajudar este site a manter-se de pé e fornecer-lhe a informação que precisa, já sabe que toda contribuição do leitor, grande ou pequena, é tão valiosa. Apoie o Santiago Magazine, da maneira que quiser, podendo ser através da conta nº 6193834.10.1 - IBAN CV64 000400000619383410103 – SWIFT: CANBCVCV - Correspondente: TOTAPTPL - Banco Caboverdeano de Negócios - BCN, ou por meio deste dispositivo do PayPal.


APOIE SANTIAGO MAGAZINE. APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE!

Comentários  

+1 # Planalto 24-10-2019 11:26
O probelma é que o Ulisses não tem um pensamento estruturado, elaborado, profundo sobre os problemas de Cabo Verde. Para ele, a nossa felicidades resulta simplesmente de uma obrinhas de COSMÉSTICA. Portanto, está claro como ele concebe o desenvolvimento de Cabo Verde!
Está claro como ele olha para os problemas de Cabo Verde e tudo isso fica ainda mais claro que as ações/conversas do seu vice que procura "animar a malta" com ilusões e desilusões. É claro que quem é assim não vai aos debates.
Responder
+1 # Cristiano Tavares 24-10-2019 10:50
Tenho estado a chamar à consciência dos cabo-verdianos de que Ulisses Correia e Silva e os seus têm-se portado como se fossem os donos do poder político e não como representantes do povo soberano que é, efectivamente, o dono desse poder. Na democracia o exercício do poder político é exercido directamente pelo povo ou através daquele(s) que por ele for (em) mandatado(s). Ulisses Correia e Silva, erradamente, julga-se um absolutista no exercício do poder político no regime que é de democracia, em Cabo Verde. Não aceitou ir ao programa, feito para os líderes dos 3 principais partidos, por se julgar estar num outro patamar(superior)de escrutinado. Ulisses Correia e Silva, como Primeiro Ministro, está a confundir demais, revelando -se um mau servidor público.
Responder
0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 24-10-2019 10:01
Concordo plenamente com o Professor Doutor José Maria Neves. De facto, o Presidente do MPD, Senhor Ulisses Correia e Silva, prestou um péssimo serviço à nação, ao ter fugido à entrevista com os líderes partidários, no programa Ponto Por Ponto, da jornalista Adelina Brito. Tal acto constitui um enorme desrespeito pela TCV, televisão pública cabo- verdiana, e um total desprezo pelos outros colegas líderes partidários da oposição e pelo povo cabo- verdiano que o elegeu e que ansiosamente o queria ver nesse importante forum de debate de idéias, programas e projectos.
Responder
+1 # Daniel Carvalho 24-10-2019 08:20
"A democracia é frágil como uma rosa. Deve ser cuidada porque quando maltratada ou desprezada, as pétalas rapidamente murcham."
Gostei dessa passagem. Faço ideia de que esse tal debate é ou seria inútil porquanto o partido no poder vai é representado por alguém que sequer faz parte do Governo, embora se saiba da importância das funções que desempenha.
Estando o presidente do partido impossibilitado por uma razão ou outra, o normal seria ser representado pelo seu vice. Os interlocutores devem estar em níveis equiparados para que os debates ganhem credibilidade.
Responder
+2 # Silvia Menezes 23-10-2019 23:31
Ulisses está a utilizar a mesma receita que utlizou na Cámara da Praia. Fugiu a tudo que era debate ou assunto mais problematico.
Só começou a ir ao Parlamento quando saiu a nova lei que o obriga a ir ao Parlamento. Ele não ia antes.
Só iria ao programa se fosse obrigado a ir por lei.
Ele sabe que ele é fraco. Cada vez que abre a boca para falar é um desatre. Por isso foge para não falar em debates diretos.
Responder