
Na primeira sessão plenária de janeiro da Assembleia Nacional a União Cabo-verdiana Independente e Democrática confronta o Governo de Ulisses Correia e Silva sobre os acordos de pescas e, nos transportes, sobre as “incertezas” nas ligações aéreas e “irregularidades” nas ligações marítimas. O mote das intervenções da UCID foi dado pela deputada Dora Pires.
Os deputados da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), na primeira sessão de janeiro e do ano da Assembleia Nacional, pretendem confrontar o Governo de Ulisses Correia e Silva com os acordos de pesca assinados com outros países e com a União Europeia (UE), mas também questionar o executivo, em particular o ministro do da tutela, sobre os transportes, um setor em que a UCID só vê problemas e onde considera que o Governo não acertou o passo, seja nos transportes aéreos, quanto marítimos.
“Ano após ano, assistimos a irregularidades nas ligações marítimas, cancelamentos frequentes, elevados custos para os cidadãos e empresas, dificuldades na mobilidade de pessoas e mercadorias, e ausência de previsibilidade, tanto no transporte aéreo como marítimo”, disse a deputada democrata-cristã Dora Pires.
Soluções reativas, improvisadas e pouco sustentadas
Para a parlamentar da UCID, “as soluções apresentadas têm sido, muitas vezes, reativas, improvisadas e pouco sustentadas” e “no transporte marítimo de cabotagem, persistem problemas de frota, de gestão, manutenção e organização das rotas”, sublinha Dora Pires, considerando que “no transporte aéreo, continuam as incertezas quanto à estabilidade, regularidade e aos custos das ligações” entre as ilhas.
Segundo a deputada, os problemas nos transportes aéreos e marítimos têm impactos negativos na vida das pessoas e da economia, em particular no turismo e no escoamento de produtos, mas também prejudicando com particular incidência as ilhas menos centrais.
Programas e projetos anunciados pelo Governo não têm funcionado
No que respeita às pescas, os democratas-cristãos querem esclarecimentos sobre os acordos assinados pelo Governo com vários países e com a União Europeia.
“O resultado é visível: frotas nacionais frágeis, pescadores com rendimentos instáveis, fraca transformação do pescado, escassez de industrialização e limitado impacto do setor na economia nacional”, é o retrato do setor feito por Dora Pires.
“O Governo vem anunciando programas, projetos, iniciativas que, na prática, têm funcionado como simulações de políticas públicas como soluções estruturantes”, salientou a deputada da UCID, considerando, ainda, que Cabo Verde continua dependente de acordos externos, incapazes de transformar recursos marinhos em desenvolvimento sustentável do país.
C/TCV
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