PAICV vai confrontar Governo por uma década de “promessas incumpridas”
Política

PAICV vai confrontar Governo por uma década de “promessas incumpridas”

No debate com o primeiro-ministro que tem lugar amanhã, os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde vão confrontar o Governo por “dez anos de promessas incumpridas”. Para o Grupo Parlamentar do PAICV, “chegou a hora do balanço”.

Reunidos desde ontem, os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), fizeram esta terça-feira, 24, o balanço das jornadas parlamentares, antevendo o que irá ser uma das sessões plenárias mais intensas desta legislatura, marcada por duas interpelações, nove diplomas e um debate com o primeiro-ministro, tendo como pano de fundo o balanço de uma década de governação de Ulisses Correia e Silva e do MpD.

Em conferência de imprensa, o líder parlamentar do PAICV, Clóvis Silva, sublinhou que o debate com o primeiro-ministro terá como foco a avaliação de compromissos assumidos desde 2016, destacando áreas estratégicas como saúde, emprego, transportes, descentralização e estatuto dos municípios. É que, para o principal partido da oposição, “chegou a hora” da apresentação de contas ao país.

“Estamos no final de uma legislatura e, dez anos depois, já deveríamos estar a colher frutos”, afirmou o líder parlamentar, para quem a sessão plenária será o momento certo para confrontar o Governo com a realidade do país e exigir esclarecimentos e responsabilização política.

Promessas na saúde continuam por cumprir

Outro destaque da última sessão deste mês, será a interpelação ao ministro da Saúde sobre a Política Nacional de Saúde, proposta pelo Grupo Parlamentar do PAICV. Segundo Clóvis Silva, continuam por cumprir promessas como a construção de centros de saúde em todos os municípios.

O líder parlamentar indicou, igualmente, problemas recorrentes no Hospital Universitário Agostinho Neto, onde se registam ruturas de stock associadas a falhas no transporte internacional, bem como reclamações de utentes que afirmam ter sido obrigados a adquirir produtos hospitalares, como seringas e vacinas, para garantir atendimento.

Clóvis Silva referiu, ainda, dificuldades nos hospitais regionais do Fogo, de Santiago Norte e de São Vicente, bem como na unidade hospitalar da Boa Vista, cuja conclusão – recordou - continua por concretizar após duas legislaturas.

Os constrangimentos na saúde, acrescentou Clóvis Silva, estão ligados a problemas mais amplos na logística e nos transportes interilhas, com impacto no abastecimento de bens de primeira necessidade e ocorrências de escassez de gás butano em várias ilhas.

Debate marcado por confronto de ideias e divergência de posições

No domínio do trabalho, o PAICV contesta os dados oficiais sobre a redução do desemprego, considerando que a sua diminuição está associada à emigração e ao aumento do número de inativos, e não a políticas eficazes de criação de emprego, e recordando que, entre os jovens, a taxa de desemprego mantém-se acima dos 20 porcento (%), com uma parte significativa sem qualquer tipo de formação.

Por último, Clóvis Silva garantiu que o Grupo Parlamentar vai exigir responsabilização política ao Governo e advertiu que o debate será marcado por confronto de ideias e divergência de posições, refletindo as preocupações dos cabo-verdianos após uma década de promessas incumpridas.

Fonte e foto: GP/PAICV

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Redação

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