
No início da semana, o presidente dos EUA disse que María Corina Machado não merece o Nobel da Paz. A chamada “líder da oposição” respondeu dizendo estar disposta a dividir o prémio e agradeceu a Donald Trump por bombardear a Venezuela. A tragédia continua, agora na sua fase de comédia.
Na última segunda-feira, 05, Donald Trump foi perentório ao sustentar que María Corina Machado não merece o Nobel da Paz, uma honraria cobiçada por ele em outubro de 2025.
Retribuindo com toda a reverência, a chamada “líder da oposição” venezuelana disse estar disposta a dividir o prémio com o inquilino da Casa Branca e agradeceu a Trump por mandar bombardear o seu próprio país.
Segundo Donald Trump, a afirmação não tem qualquer relação com o facto de a ter descartado como possível sucessora na liderança da Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro.
No entanto, quem o conhece sabe que isso não é verdade. Uma fonte dos círculos políticos de Washington diz que “é típico de Trump comportar-se como uma criança mimada”. O que, aliás, parece ser confirmado implicitamente pelo próprio: “ela não deveria tê-lo vencido, mas isto não tem nada a ver com a minha decisão”,
Logo no sábado, na sua primeira conferência de imprensa coletiva, após os bombardeamentos na Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro, o presidente norte-americano havia dito que seria “muito difícil” María Corina liderar o país sul-americano, porquanto “ela não tem o apoio ou o respeito de todo o povo”, sustentou Trump aos jornalistas.
Numa reportagem sobre o assunto, o jornal Washington Post, que associou o descarte do nome da “líder da oposição” ao ressentimento de presidente norte-americano, citou fontes próximas da Casa Branca que garantiram que o chefe de Estado dos EUA teria desistido de María Corina Machado por ela ter aceitado receber a honraria. Segundo o jornal, aceitar a nomeação teria sido “um grave pecado”.
“Se ela tivesse negado [receber o Nobel da Paz] e tivesse dito: ‘Não posso aceitá-lo porque é de Trump’, hoje ela seria a presidente da Venezuela”, disse uma fonte ao Washington Post. Isto é, se o governo de Caracas tivesse colapsado, o que não foi o caso.
C/Opera Mundi
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