O deputado nacional, Orlando Dias, imputa toda a responsabilidade da derrota do MpD nas eleições autárquicas de 1 de dezembro ao Ulisses Correia e Silva, convidando-o a colocar o cargo à disposição dos órgãos nacionais do partido, para a consequente marcação de “uma Convenção Nacional Extraordinária", bem como a marcação de eleições internas para escolha do novo líder.
Orlando Dias, que falava em conferência de imprensa na cidade da Praia, teceu duras críticas ao presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, remarcando que a sua liderança “está completamente esgotada, já não tem mais nada a oferecer ao Partido nem ao País, por isso, foi derrotada nas urnas.”
“Pela primeira vez na história do Poder Local, o MpD perde umas eleições autárquicas, para mais, de uma forma absolutamente esmagadora, passando de catorze para sete câmaras municipais. Por arrasto, perde a presidência da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos, observa Dias, sugerindo que “seria natural que o presidente do MpD (bem como todos os seus vices) pusesse o seu cargo à disposição e o Partido marcasse, desde já, uma Convenção Nacional Extraordinária, organizada de forma transparente, idónea e republicana, para debater a crise interna do MpD, a situação política nacional e a necessidade de respostas adequadas para enfrentar o novo ciclo político.”
Este político, que em 2023, havia enfrentado Ulisses Correia e Silva numa disputada à liderança do partido, propõe ainda que “paralelamente à colocação do cargo à disposição do partido “deveriam ser convocadas eleições internas para que o líder eleito tivesse tempo e condições políticas para introduzir reformas profundas no Partido, apresentar novos compromissos de governação do País e enfrentar com êxito a disputa eleitoral de 2026.”
Não poupando nas palavras e nas acusações, Orlando Dias afirma que “durante quase 12 anos, esta liderança do MpD descaracterizou o Partido, secundarizou as bases e transformou-o numa espécie de sociedade anónima, onde só têm a palavra o “conselho de administração” e os principais “acionistas””.
E nesta perspectiva, dispara que “Ulisses e o seu círculo mais íntimo abafaram o debate interno e substituíram a democracia por uma legião de batedores de palmas e cabos eleitorais”, lembrando que nos últimos dois anos, enquanto deputado e no decurso das eleições internas de abril de 2023, vem alertando a liderança do MpD para a necessidade de “fazer uma remodelação governamental, reduzindo o número absurdo de membros do executivo e promovendo reformas estruturais para o País, mas também reduzindo substancialmente a máquina do Estado”.
“O líder do Partido e primeiro-ministro nunca ligou às minhas preocupações e, mais grave que isso, nunca entendeu os evidentes sinais que vinham da sociedade” lamenta, acrescentando: “Se me tivessem ouvido, se tivessem escutado a sociedade e os lamentos do povo, seguramente, não estaríamos hoje confrontados com a maior derrota eleitoral do MpD.”
De recordar, nestas eleições autárquicas, o PAICV conquistou 15 das 22 câmaras municipais, revertendo o panorama de há quatro anos, quando o MpD liderava em 14 municípios.
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A equipa do Santiago Magazine