CPI Amadeu Oliveira. "O processo tem de continuar. Todos devem respeitar as decisões da Assembleia Nacional", avisa Demis Lobo
Política

CPI Amadeu Oliveira. "O processo tem de continuar. Todos devem respeitar as decisões da Assembleia Nacional", avisa Demis Lobo

A Assembleia Nacional retoma esta semana os seus trabalhos parlamentares e a posse dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso Amadeu Fortes Oliveira poderá entrar na agenda. A expectativa é expressa pelo deputado do PAICV, Demis Lobo, que defende que a comissão deve iniciar funções de imediato, apesar do pedido de fiscalização sucessiva abstrata da constitucionalidade da resolução que a criou.

Na última sessão plenária, Demis Lobo dirigiu-se diretamente ao presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, para exigir a posse urgente dos membros da CPI, recordando que a sua constituição foi aprovada por unanimidade. “Este Parlamento, por unanimidade, na medida em que não houve qualquer objeção, aprovou um projeto de resolução com vista à constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito”, afirmou.

Segundo o deputado, a CPI tem como missão averiguar “se o cidadão Amadeu Fortes Oliveira, enquanto deputado da Assembleia Nacional, terá abusado dos seus direitos e dos seus poderes como deputado e se terá violado os seus deveres funcionais”.

Demis Lobo sublinhou que a resolução foi de constituição obrigatória, uma vez que contou com o número mínimo de subscritores exigido por lei, incluindo deputados de todas as bancadas e do grupo político da UCID. “Esta resolução foi aprovada por unanimidade, era de constituição obrigatória, foi publicada e já entrou em vigor”, frisou.

O parlamentar reconheceu a legitimidade do pedido apresentado pelo Procurador-Geral da República ao Tribunal Constitucional, mas defendeu que tal iniciativa não suspende os efeitos da resolução. “O senhor procurador-geral da República entendeu requerer a fiscalização sucessiva abstrata da constitucionalidade desta resolução e é legítimo que o faça. Agora, também é legítimo que decorre da Constituição e do Regimento da Assembleia Nacional que o processo deve continuar”, declarou.

Para Demis Lobo, o enquadramento jurídico é claro: “Quando se suscita a fiscalização sucessiva abstrata da constitucionalidade de uma lei, a lei não deixa de ser aplicada. A lei continua a ser aplicada e a produzir todos os seus efeitos até ao pronunciamento do órgão jurisdicional competente, que neste caso é o Tribunal Constitucional”.

O deputado do PAICV reforçou ainda que a Assembleia Nacional deve respeitar a sua própria decisão enquanto órgão de soberania. “Enquanto não houver uma decisão judicial que suspenda essa resolução e os seus efeitos, a resolução está em vigor e produz efeitos”, sustentou.

Respeito institucional e separação de poderes

Apesar das divergências, Demis Lobo garantiu respeito institucional pelo Ministério Público e pelo Tribunal Constitucional. “Respeitamos a posição do senhor PGR, com a qual não concordamos, mas respeitamos, assim como respeitamos o Tribunal Constitucional e todos os órgãos de soberania”, afirmou, acrescentando que “todos os cabo-verdianos devem respeitar a decisão tomada pela Assembleia Nacional”.

O deputado foi taxativo ao defender que o parlamento não pode abdicar das suas competências. “É preciso respeitar o funcionamento normal de todos os órgãos de soberania. A Assembleia Nacional não pode renunciar às suas competências, aos seus poderes e às suas atribuições”, disse.

Demis Lobo concluiu insistindo que a posse da CPI é um passo necessário para o normal exercício da função fiscalizadora do parlamento. “Entendemos que se deve dar posse aos membros da CPI para iniciarmos o nosso trabalho, respeitando escrupulosamente qualquer decisão que o Tribunal Constitucional venha a tomar, inclusive em sede de providência cautelar”.

O caso Amadeu Oliveira, que envolve questões relacionadas com imunidades parlamentares e atuação das instituições judiciais e legislativas, continua assim a marcar o debate político nacional, com a CPI a ser vista por vários setores como um instrumento essencial de escrutínio e clarificação institucional.

Santiago Magazine tentou ouvir a posição do presidente da Assembleia Nacional, mas Austelino Correia não atendeu as nossas chamadas até à hora em que editamos esta peça. 

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SOBRE O AUTOR

Hermínio Silves

Jornalista, repórter, diretor de Santiago Magazine

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