Coordenador da UASE, Sandeney Fernandes, sob investigação do MP por indícios de corrupção
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Coordenador da UASE, Sandeney Fernandes, sob investigação do MP por indícios de corrupção

O coordenador da Unidade de Acompanhamento do Sector Empresarial do Estado (UASE), Sandeney Fernandes, está a ser investigado pelo Ministério Público (MP), por indícios de prática de corrupção no exercício do cargo.

Fontes próximas do Ministério das Finanças, tutela da UASE, confidenciaram ao Santiago Magazine que Sandeney Fernandes, enquanto coordenador da UASE, terá adquirido ações da Caixa Económica de Cabo Verde (CECV), um ato considerado lesivo do interesse público, porquanto configura a priorização do seu interesse pessoal em detrimento do interesse de terceiros, pois com este ato terá assumido o duplo papel de vendedor e comprador.

Na passada sexta-feira, 23 de maio, a sede da UASE, no Plateau, foi objeto de buscas do Ministério Público, bem como a residência do coordenador, Sandeney Fernandes, onde alguns equipamentos de trabalho terão sido apreendidos pelas autoridades policiais e judiciais.

As buscas do MP, a crer nas nossas fontes, acontecem na sequência das constatações relatadas pela Auditoria Geral do Mercado de Valores Mobiliários (AGMVM), que no exercício da sua função de reguladora do funcionamento dos mercados de valores, terá detatado o “negócio” do Fernandes e encaminhado o respetivo relatório para o Ministério Público.

Com as buscas do MP, Sandeney Fernandes, que também é administrador único da NewCo, uma empresa que gere os passivos da TACV, - recorde-se que a sua esposa Nádia Teixeira é administradora executiva dessa companhia aérea - terá pedido a demissão do cargo, mas, asseguram as nossas fontes, o Ministro das Finanças, Olavo Correia, ainda não deferiu o pedido.

Segundo um jurista contactado por Santiago Magazine, a aquisição das ações da CECV pelo coordenador da UASE pode ser considerado negócio consigo mesmo enquanto agente público responsável pela gestão do processo, o que configura num conflito de interesses, com possíveis implicações de ilegalidade e quebra de dever ético.  “Ao atuar como decisor público e parte interessada no negócio, o seu comportamento gera naturalmente favorecimento e uso indevido da função que exerce para obter benefício próprio”, concluiu.

Sandeney Fernandes, quando contactado por este diário digital, disse que não quer falar sobre este assunto, por estar sob investigação das autoridades judiciais. 

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Redação