UCID DAS AMÉRICAS QUESTIONA distância política e o silêncio dos deputados do MPD & PAICV das Américas
Ponto de Vista

UCID DAS AMÉRICAS QUESTIONA distância política e o silêncio dos deputados do MPD & PAICV das Américas

A diáspora é parte essencial da identidade nacional e do futuro económico de Cabo Verde. Ignorá-la é um erro político e estratégico. Para recuperar a confiança perdida, será necessário transformar a forma como os deputados se relacionam com os cabo-verdianos no exterior. Ser deputado das Américas não se trata apenas de representar — trata-se de servir, ouvir e agir a favor da diáspora.

A Diáspora cabo-verdiana nas Américas — com forte presença nos Estados Unidos — representa uma das comunidades mais numerosas, antigas e economicamente relevantes do arquipélago. Apesar disso, cresce o sentimento de que os deputados eleitos para representar esta população vivem desconectados das suas realidades, desafios e expectativas. Entre críticas sobre falta de transparência, comunicação, ausência de prestação de contas e presença limitada em processos essenciais como “Recenseamento” e participação cívica, muitos emigrantes questionam se esses representantes cumprem, de fato, o mandato que lhes foi confiado ou andam de ferias Politico.?

1. Distância entre Representantes e Representados

Um dos maiores problemas apontados pela Diáspora é a distância física e política que separa os deputados dos cidadãos que deveriam representar.

Embora sejam eleitos para defender os interesses da comunidade emigrante, muitos cabo-verdianos afirmam que:

• As visitas dos deputados são raras ou protocoladas;

• Não existem canais permanentes de diálogo;

• A comunicação só se intensifica em períodos eleitorais;

• Problemas reais do dia a dia nos EUA raramente chegam ao Parlamento.

O resultado é uma sensação de abandono, levando muitos emigrantes a acreditar que a representação parlamentar da diáspora existe mais no papel do que na prática.

2. Falhas na Comunicação e Baixa Visibilidade Pública

Outra crítica recorrente é a falta de comunicação transparente e regular sobre iniciativas, debates parlamentares e políticas que afetam diretamente os emigrantes.

A diáspora nos EUA enfrenta questões complexas:

• regularização migratória,

• acesso a serviços consulares,

• direitos estatísticos e eleitorais,

• participação em programas de investimento e apoio ao regresso e

Serviços das Alfândegas.

Apesar da relevância desses temas, muitos emigrantes afirmam que não recebem informação suficiente, nem através de redes sociais, nem por associações comunitárias, nem por canais oficiais dos Deputados das Américas do MPD & PAICV.

O silêncio — ou a comunicação fragmentada, enfraquece o vínculo representativo e aumenta a desconfiança no processo político.

3. Recenseamento e Representatividade: Uma Oportunidade Perdida

O recenseamento e o mapeamento global da diáspora têm sido temas importantes para o país, mas a comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos denuncia falta de transparência e mobilização por parte dos deputados.

Entre as fragilidades apontadas estão:

• Pouco envolvimento direto na sensibilização para o recenseamento, pois não estão interessados, querem estar a control de meia dúzia de pessoas uma vez que não se pode comprar votos nos Estados Unidos.

• Falta de iniciativas para garantir que todos conheçam e participem do processo;

• Ausência de articulação efetiva entre deputados, consulados, Embaixada e associações comunitárias;

• Falta de fiscalização e pressão política para que o processo seja ágil, transparente, inclusivo e confiável.

Para muitos, o recenseamento seria uma oportunidade ideal para fortalecer a relação entre representantes e emigrantes, mas acabou se transformando em mais um episódio marcado por desinformação, falhas de coordenação e baixa participação.

4. Dependência Excessiva de Agendas Partidárias

Outro ponto frequentemente criticado é a percepção de que os deputados da diáspora seguem agendas partidárias, e não as necessidades reais dos emigrantes.

Muitos cabo-verdianos afirmam que as prioridades da comunidade só são abordadas quando coincidem com interesses do partido.

Essa dependência limita:

• a autonomia dos deputados;

• a capacidade de intervir quando há falhas nos serviços consulares;

• a defesa de melhorias no atendimento ao emigrante;

• a criação de políticas específicas para quem vive nos EUA.

Quando o partido fala mais alto do que a voz do eleitor, o mandato perde sua essência representativa.

5. Desconfiança e Afastamento dos Emigrantes da Vida Política

As falhas acumuladas ao longo dos anos geraram um efeito preocupante:

a diáspora sente-se cada vez menos motivada a participar na política cabo-verdiana.

O resultado inclui:

• crescimento do abstencionismo entre emigrantes;

• desinteresse em processos de mapeamento e recenseamento;

• descrença no impacto do voto;

• perda de confiança no Parlamento como instituição.

Esse afastamento enfraquece a democracia cabo-verdiana e limita o potencial de contribuição da diáspora para o futuro do país.

5. Uma Representação que Precisa de Renovação Urgente

O mau trabalho percebido dos deputados da diáspora nos Estados Unidos não se restringe a erros individuais, mas reflete problemas estruturais na relação entre Estado e emigrantes.

A comunidade cabo-verdiana nas Américas exige — e merece — representantes:

• presentes,

• acessíveis,

• independentes,

• capazes de fiscalizar,

• atentos às realidades locais,

• e comprometidos com um diálogo permanente.

A diáspora é parte essencial da identidade nacional e do futuro económico de Cabo Verde. Ignorá-la é um erro político e estratégico. Para recuperar a confiança perdida, será necessário transformar a forma como os deputados se relacionam com os cabo-verdianos no exterior. Ser deputado das Américas não se trata apenas de representar — trata-se de servir, ouvir e agir a favor da diáspora.

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