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Operadora justificou no sábado, 24, o cancelamento dos voos para São Nicolau, alegando que a pista do aeródromo foi reduzida, não permitindo operações a ATRs. A ASA desmente.

Afinal, é outra a história por detrás da suspensão dos voos da Binter CV para a ilha de São Nicolau. A companhia escolhida pelo Governo para substituir a TACV a partir de Agosto nas ligações inter-ilhas, cancelou o voo de sábado, 24, alegando que, de acordo com novas especificações técnicas emitidas pela ASA, a pista do aeródromo foi reduzida de 30 para 23 metros de largura, tamanho não permitido para receber aviões ATR-72 como os que dispõe.

Acontece que as dimensões da pista do aeródromo da Preguiça, no concelho da Ribeira Brava (São Nicolau) não foram reduzidas e a Binter sempre sabia disso. Quem o garante é a ASA, empresa pública que gere os aeroportos no país. Contactada esta tarde por Santiago Magazine, a ASA fez saber que, seguindo uma  exigência obrigatória na Aeronáutica Civil, emitiu desde 20 de Março um comunicado dando conhecimento a todas as operadoras sobre as características físicas dos aeroportos e aeródromos de Cabo Verde, inclusive o de São Nicolau.  

A empresa responsável pelos aeroportos e segurança aérea diz que a Binter solicitou um conjunto de informações sobre o aeródromo de São Nicolau, como o sistema de restauro de bagagem, controlo de passageiros, medidas de segurança operacional, a fim de preparar o seu voo inaugural previamente marcado para o passado dia 17 de Junho.

asa

“As informações foram enviadas à Binter desde o dia 8 de Maio, com referências claras sobre limitações da pista, que tem 23 metros de largura”, assegura a ASA (no seu site está 30m de largura), que, assim, desmente o comunicado da Binter e coloca esta operadora, hoje com 49% do seu capital pertencente ao Estado, numa saia justa.

Isto porque, mesmo sabendo destas características e da necessidade de obter primeiro a autorização da Agência de Aviação Civil (AAC) – os ATRs-72 carecem de 30 metros de largura de pista para poisar e descolar, pelo que só com um certificado especial da AAC a aeronave pode realizar voos nessas condições –, a novel transportadora aérea cabo-verdiana efectuou quatro voos para São Nicolau, onde além da redução da pista os fortes ventos condicionam as manobras dos pilotos.

O primeiro voo foi na data agendada (17 de Junho) e a título experimental. A segunda viagem foi para deslocar, em regime de emergência, um jovem acidentado para o Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente. Os restantes voos foram estritamente comerciais. E, alegadamente, à revelia das autoridades cabo-verdianas.

Fontes deste diário afirmam que a Binter CV não obteve a tal autorização da AAC, por isso terá sido forçada a parar, correndo o risco de vir a ser multada ou até impedida de operar em todo o território nacional. É que além de, supostamente, ter infringido as normas internacionais de aviação, a operadora que vai assegurar as ligações aéreas domésticas a partir de 1 de Agosto – data da saída da TACV do mercado interno – tem certificado (AOC) provisório, revisto de três em três meses sob monitoramento apertado da AAC. Só depois de completar um ano de funcionamento, o seu alvará será estendido, o que, segundo fontes deste diário digital, significa que pode até ser fechado por qualquer falha grave nesse período de licença provisória.

Santiago Magazine não conseguiu falar com ninguém da Binter, apesar das inúmeras tentativas pelo contacto telefónico que tem no seu site e documentos de propaganda. Também na Aeronáutica Civil, o PBX toca e ninguém atende.

O Governo chegou a garantir em comunicado que está a equacionar com a ASA, AAC e Binter uma saída para manter São Nicolau com linhas aéreas abertas, sobretudo depois de a TACV, que tem praticamente um mês para deixar de voar em Cabo Verde, ter cancelado o seu voo de sábado para a ilha de Chiquinho por causa de avaria no seu ATR. Curiosamente, para o mês de Julho, a TACV,  de acordo com informações da sua secção de Reservas online, aumentou o número de voos diários para São Nicolau com deslocações  às segundas, quartas, quintas, sextas e sábados.

O cancelamento do voo da Binter no fim-de-semana impediu por exemplo a realização do jogo da primeira mão das meias-finais do campeonato Nacional de Futebol entre o Mindelense e o Ultramarina, antes agendado para domingo, 25, e que foi adiado para esta terça-feira, 27, data recusada pela equipa sanicolaense.

AERODROMO DE S. NICOLAU 1

 



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