Sissoco cozinha com militares golpistas regresso à Guiné-Bissau
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Sissoco cozinha com militares golpistas regresso à Guiné-Bissau

O ex-presidente Umaro Sissoco Embaló, considerado o cérebro por detrás do golpe de 26 de novembro do de 2025, concerta com militares golpistas o regresso ao país em condições de segurança. Em encontro com o autodenominado presidente de transição, o mandatário da candidatura de Sissoco às eleições de 23 de novembro elogiou, ainda, o “trabalho” dos militares que tomaram o poder.

João Paulo Semedo, mandatário da candidatura de Umaro Sissoco Embaló às eleições de 23 de novembro de 2025, encontrou-se esta sexta-feira, 06, com o autodenominado presidente de transição da Guiné-Bissau, Horta Inta-a, levando em agenda o desejo do ex-presidente regressar ao país e pedindo condições de segurança para o seu regresso a Bissau.

O mandatário pediu, ainda, que os apoiantes de Sissoco possam também regressar à Guiné-Bissau em condições de segurança, nomeadamente os antigos primeiros-ministros Braima Camara e Nuno Gomes Nabian.

João Paulo Semedo aproveitou para elogiar o “trabalho” dos militares golpistas que, a 26 de novembro, interromperam o processo de contagem dos votos, assaltaram as instalações da Comissão Nacional de Eleições e detiveram o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira e outros políticos adversários de Sissoco, e obrigando o candidato Fernando Dias da Costa, que tudo indica ter ganho as eleições, a refugiar-se na embaixada da Nigéria em Bissau.

Sissoco sempre foi o rosto por detrás do golpe

A natureza do golpe de Estado militar na Guiné-Bissau de 26 de novembro, anunciado um dia antes de ser tornado público o apuramento do sufrágio, desde as primeiras horas ficou clara e o rosto por detrás dos militares golpistas afigurou-se com nitidez: Umaro Sissoco Embaló. Uma apreciação do essencial da imprensa estrangeira e do corpo diplomático creditado em Bissau.

E, com a detenção do candidato presidencial Fernando Dias da Costa e do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, as dúvidas iniciais esfumaram-se completamente.

A natureza do golpe ficou exposta com toda a clareza: o objetivo era suspender o processo de apuração de votos, evitando que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciasse o vencedor das escolhas dos guineenses, ao que tudo indicava, desfavoráveis a Sissoco.

Os militares golpistas destituiram, então, numa cortina de fumo para tentar proteger o rosto por detrás da intentona, o então presidente da República, anunciando que Umaro Sissoco Embaló tinha sido detido, embora continuasse a ter acesso a meios de comunicação, a dar entrevistas, a falar com chefes de Estado estrangeiros e a contactar com os seus apoiantes. Uma farsa que apenas se aguentou por umas horas.

Golpe constitucional e suspensão da democracia

A alegação para o golpe assentou numa sequência de falácias, um delas absolutamente hilariante: que estava em marcha um golpe de Estado, financiado por cartéis de droga, que iria empurrar o país para uma guerra civil. Isto é: o golpe seria para evitar um golpe. Seria para rir, não se tratasse de um acontecimento trágico.

Entre as primeiras medidas, suspendeu-se a democracia, condicionou-se a liberdade de imprensa, impediram-se declarações públicas não autorizadas e, pesem as declarações formais de condenação do golpe promovidas por organizações internacionais, mantiveram-se no poder, promoveram iniciativas para subverter a Constituição e dando poderes absolutos ao chamado presidente de transição.

E convocaram eleições para dezembro, paralelamente a manobras para impedir o líder da oposição, Domingos Simões Pereira, de participar no sufrágio, que tudo indica ser uma farsa tendente a colocar no poder Umaro Sissoco Embaló. Isto tudo, com a comunidade internacional a assobiar para o lado.

Foto: DR

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