
A pergunta é simples e incómoda: queremos continuar a gerir a dependência ou queremos construir autonomia? A abstenção crescente não é ignorância: É sintoma. É o sinal de um povo cansado de promessas, por isso, este momento exige mais do que voto: exige posicionamento, exige consciência, exige responsabilidade e exige ruptura com a normalização do medo. Temos que dizer BASTA de sermos governados pelo medo, pelo orgulho, pela raiva e pela manipulacão como afirmaria o Sócrates. A base da liberdade efetiva, nunca foi e nem será a de SOBREVIVÊNCIA, mas sim, a do bem-estar coletivo.
Não nos enganemos: o problema não é apenas quem governa. É o modelo que nos habituámos a aceitar. Um modelo onde uma grande maioria dos jovens não sonham em criar empresas, inovar ou transformar o país — sonham em conseguir um lugar no Estado para sobreviver. Quando o Estado se torna o maior empregador, torna-se também o maior distribuidor de favores (dependências). E onde há dependência estrutural, a liberdade torna-se frágil, e a estabilidade é confundida com controlo político disfarçado de normalidade. Sabemos que o medo molda comportamentos em contextos de escassez e de incerteza e que nestes casos o ser humano protege-se, cala-se e adapta-se. Escolhe o caminho mais seguro.
Mas uma nação não pode viver permanentemente em modo de sobrevivência, pois um povo que vive apenas para sobreviver já começou a abdicar da sua liberdade. Amílcar Cabral dizia que a dominação mais perigosa não é a aquela que ocupa o território, mas aquela que ocupa a consciência. Quando o medo se instala, o silêncio passa a ser prudência, a dependência passa a ser “realismo” e a submissão passa a ser “estratégia”. E assim se constrói uma cultura de resignação.
Infelizmente a juventude tem estado a ser ensinado e a aprender com exemplos práticos do nosso quotidiano que questionar fecha portas, que criticar custa oportunidades e que exigir direitos pode significar perder acesso. Desta forma, o espaço público deixa de ser lugar de cidadania e transforma-se em terreno de cálculo. Participa-se nas campanhas, veste-se a camisola e repete-se o slogan. Mas quantos acreditam verdadeiramente? - Não é apatia, é sobrevivência. Quando o emprego, o contrato ou o subsídio parece depender do alinhamento político, o voto deixa de ser livre e torna-se uma defesa, e por isso, vota-se para não perder, cala-se para não arriscar e aceita-se para não ser excluído.
Perante esta realidade, o problema configura -se como sendo estrutural. Quem pode, emigra. Quem fica, adapta-se. A emigração tornou-se a válvula de escape silenciosa do país. A diáspora sustenta famílias e equilibra a economia e é celebrada como “décima primeira ilha”, mas frequentemente tratada apenas como fonte de remessas e votos à distância.
Enquanto isso, as ilhas periféricas (ex: Brava, Maio, São Nicolau) lembram-nos uma verdade incômoda: aparecem no mapa durante a campanha e desaparecem logo depois. Prometem-se portos, hospitais, transportes e depois das eleições vem o silêncio. E o povo aprende a suportar. Cabral advertiu-nos: um povo que internaliza os seus limites deixa de precisar de repressão visível, passa a autocensurar-se, passa a autorregular-se e passa a adaptar-se. E quando a adaptação se torna permanente, a liberdade torna-se apenas retórica.
Neste particular, muitos politicos celebram, pois, é a vitória da ignorância. Mas, Cabral também nos deixou uma herança maior do que qualquer estrutura: a consciência! A libertação começa na mente. Começa quando um povo decide que o medo pode ser humano, mas não pode ser político. Ninguém luta por aquilo que não conhece e ninguém transforma aquilo que aprendeu a temer.
As próximas eleições não são apenas um acto administrativo, mas sim um teste à nossa maturidade politica colectiva. Não precisamos de mais promessas, precisamos sim, de coragem. Coragem para separar claramente o Estado do partido. Coragem para afirmar que o trabalho não pode depender de fidelidade política. Coragem para devolver dignidade ao debate público. Coragem para integrar todas as ilhas no mesmo projecto nacional. E coragem para tratar a diáspora como parte activa do futuro, não apenas como suporte financeiro.
A pergunta é simples e incómoda: queremos continuar a gerir a dependência ou queremos construir autonomia? A abstenção crescente não é ignorância: É sintoma. É o sinal de um povo cansado de promessas, por isso, este momento exige mais do que voto: exige posicionamento, exige consciência, exige responsabilidade e exige ruptura com a normalização do medo. Temos que dizer BASTA de sermos governados pelo medo, pelo orgulho, pela raiva e pela manipulacão como afirmaria o Sócrates. A base da liberdade efetiva, nunca foi e nem será a de SOBREVIVÊNCIA, mas sim, a do bem-estar coletivo.
Sócrates fez a seguinte pergunta: se o conhecimento importa em todas as outras áreas, porquê é que a ignorância ganha poder quando votamos?
Esteja conciênte e vote na Transformacão!
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