
De 2016 para 2021 o MpD perdeu a nível nacional cerca de 12.000 votos, consequentemente, perdeu dois deputados nesta última legislatura (2021-2026). Pelas projeções das sondagens, o MpD continuou perdendo eleitores pós-2021 num volume maior e numa taxa mais acelerada do que perdera entre 2016 a 2021 podendo atingir mais do que o dobro ou triplo do que perdera.
Os resultados eleitorais das Legislativas, Presidenciais e Autárquicas no período democrático em Cabo Verde desde 1991 ao presente para o MpD mostram um esmorecimento de desempenho eleitoral contínuo nos três pleitos e drástica redução da sua competitividade eleitoral:

O MpD que reinou soberano na última década dos anos 1990, obtendo maiorias qualificadas nas legislativas de 1991 e 1995, conseguindo eleger o candidato presidencial de sua preferência com 70% a 90% dos votos e governar a maioria das Câmaras Municipais, chega ao ano 2026 com um desempenho eleitoral irreconhecível relativamente ao seu passado, beirando 30% nos resultados eleitorais e nas intenções de voto!
Nesse período de 35 anos de eleições democráticas, os resultados eleitorais nas autárquicas e presidenciais foram sempre melhores em mais de 10%, em média, comparativamente às legislativas para o MpD até 2021.
Mesmo no período 2001 até 2011 que o MpD perde três eleições legislativas, consecutivamente, conseguiu obter mais votos para o candidato que apoiou nas presidenciais naquele intervalo de tempo do que obtivera nas legislativas anteriores.
O segundo semestre do ano 2021, com a eleição de José Maria Neves no 1º turno, apoiado pela oposição – PAICV - rompeu-se esse padrão que vigorava há 30 anos em que candidatos presidenciais apoiados pelos ventoinhas obtinham um percentual de votos superior aquele obtido pelo MpD na eleição precedente.
Todavia, a mudança de padrão eleitoral mais relevante verificada nesse período em análise é a transição eleitoral autárquica ocorrida em dezembro de 2024, quando, pela primeira vez, até então, o MpD perde a hegemonia do comando do total das Câmaras Municipais a favor do PAICV.
A queda da preferência partidária do MpD de 45% na década de 1990 para 12% em 2026 associado a profundas mudanças no perfil sócio-demográfico, especialmente, no nível educacional em que se aumentou a média dos anos de estudos da população em geral e dos eleitores, em particular, ocorre em desfavor dos resultados eleitorais dos ventoinhas.
A avaliação do desempenho do Governo e de seu Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, despencou pela metade do indicador observado no início do mandato, segundo os dados do afrobarometer.
O MpD vai para as próximas rodadas eleitorais legislativas e presidenciais num quadro totalmente diferente ao que estava habituado e desfavorável para si tendo em conta as sondagens conhecidas e as projeções eleitorais.

O círculo eleitoral Santiago Sul cujo núcleo central é a Praia é também o maior e com potencial de determinação dos resultados eleitorais finais, primeiro, por ter o maior número de eleitores e eleger o maior número de deputados, segundo, por causa do maior efeito alavancagem da desproporcionalidade eleitoral aí verificada e terceiro pelo efeito da influenciação em relação a outros círculos eleitorais.
Dos 13 círculos do país que estarão em disputa nas próximas legislativas de 17 de Maio de 2026, a maioria são círculos que elegem dois a cinco deputados, nesses círculos, o partido que ganhar as eleições com mais 20% ou 30% sobre o adversário pode não conseguir transformar esses votos extras em cadeiras parlamentares.
Porém, nos círculos maiores como Santiago Sul, Santiago Norte e São Vicente que são círculos onde se elegem 10 ou mais deputados, estar em vantagem eleitoral ainda que seja de um voto neles é mais relevante do que nos pequenos círculos.
Tradicionalmente, São Vicente tem-se mostrado ser um círculo plural onde três partidos dividem votos: MpD, PAICV e UCID.
A grande disputa estará reservada para a ilha de Santiago nos seus dois grandes círculos eleitorais, especialmente, em Santiago Sul.
As sondagens revelaram que em Santiago Sul é o ponto mais vulnerável do MpD onde se prevê a sua derrota a favor do PAICV.
Considerando que o MpD fez uma remodelação governamental em 2025 após o desastre eleitoral autárquico sofrido em 01 de dezembro de 2024 e os dados eleitorais apontam para a derrota desse partido nesse círculo, em 2026, concluí-se que essa remodelação resultou num autêntico fracasso eleitoral, ou seja, não conseguiu nem ao menos estancar a perda de votos nesse círculo que já se verificava desde 2016.
Observa-se que os famosos PCFRs dos professores, do pessoal de saúde e de outras categorias já foram implementados em 2025 e não produziram nenhum impacto eleitoral significativo nas intenções de voto favoráveis ao partido do Governo em Santiago segundo os dados das sondagens divulgadas em 2026.
Ainda os supostos indicadores sócio-económicos positivos revelados pelo Governo durante os últimos anos de mandato não conseguiram traduzir-se em vantagens eleitorais em Santiago.
Na maior ilha do país, dos nove Municípios, sete são governados pelo PAICV e as sondagens indicam que os tambarinas recolhem a maioria das intenções de voto aqui, sendo evidente pelos dados dos resultados eleitorais e pelas projeções de sondagens que enquanto o número de eleitores cresce, o MpD continua em trajetória descendente de perda de votos de eleição para eleição, o PAICV vai na contramão, aumentando o número e o percentual de votos!
O MpD perde quase 20.000 votos só no Município da Praia de 2012 para 2026, segundo as projeções, enquanto o eleitorado cresceu de 62.000 para quase 100.000 eleitores no mesmo período.
Para o PAICV, projeta-se mais do que o dobro de votação para 2026 comparativamente ao que tivera em 2012.
De 2016 para 2021 o MpD perdeu a nível nacional cerca de 12.000 votos, consequentemente, perdeu dois deputados nesta última legislatura (2021-2026).
Pelas projeções das sondagens, o MpD continuou perdendo eleitores pós-2021 num volume maior e numa taxa mais acelerada do que perdera entre 2016 a 2021 podendo atingir mais do que o dobro ou triplo do que perdera.
Desses resultados eleitorais projetados, considerando as margens de erro das sondagens, só em Santiago Sul, o PAICV pode estar com vantagem de mais 3 a 6 deputados sobre o MpD, situação essa de difícil recuperação para os adversários em outros círculos eleitorais.
As próximas eleições legislativas vão completar o círculo de mudanças já iniciadas em 2024 com a passagem da maioria das Câmaras Municipais à gestão do PAICV, agora com a alternância da chefia do Governo para o partido liderado por Francisco Carvalho.
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