
A falta de trabalhadores está a ameaçar o setor primário em Santiago Norte, com impactos diretos na agricultura, na criação de gado e na pesca. Os produtores apontam as razões para esta nova realidade, principalmente pela debandada de jovens para o estrangeiro em busca de melhores condições de vida, mas também por relutância em trabalhar em zonas rurais. Campos sem sementeiras e barcos parados é o resultado.
Os produtores de Santiago Norte consideram que a falta de trabalhadores tem ameaçado o setor primário, com impactos na agricultura, criação de gado e pesca, comprometendo a produção e reduzindo os rendimentos das famílias.
Produtores contactados pela Inforpress afirmaram que a saída de mão-de-obra para o estrangeiro e a relutância dos jovens em trabalhar nas zonas rurais têm ameaçado a sobrevivência do setor primário.
Segundo as pessoas ouvidas pela agência de notícias cabo-verdiana, muitos agricultores não fizeram as sementeiras nos últimos anos e vários criadores de gado abandonaram a atividade, precisamente por falta de mão-de-obra.
Muitos agricultores e criadores de gado já abandonaram atividades
“Na nossa localidade, quase todos criavam animais antigamente, mas hoje apenas duas pessoas mantêm o gado. Muitos desistiram devido à falta de trabalhadores, e os que ficaram não querem trabalhar nestas áreas”, explicou Pedro Silva, agricultor e criador de gado em Cabeça Carreira, Santa Catarina.
Segundo Pedro, a falta de mão-de-obra tem impacto direto na produção e nos preços praticados, sublinhando que o trabalho de agricultura e o cuidado com os animais precisam de alguém presente.
"Um animal que valia 200 contos, se não tiver alguém ali para cuidar, pode acabar valendo 50”, disse o agricultor e criador de gado, acrescentando que a situação provoca frustração e desmotivação entre quem permanece activo.

Na pesca, situação também é preocupante
Por sua vez, o pescador Jelson Mendes disse que a falta de trabalhadores deixou várias embarcações paradas, o que afeta as capturas e os rendimentos das famílias.
Além da agricultura, criação de gado e pesca, as pessoas contactadas pela Inforpress, apontaram que a escassez de trabalhadores afeta também o transporte, com muitos táxis e hiaces parados, devido à falta de condutores.
Profissionais ligados a estes setores, advertem que, sem políticas que incentivem a permanência de mão-de-obra, a produção agrícola, pecuária e pesqueira poderá continuar a diminuir, e a ameaçar o abastecimento e a sustentabilidade em Santiago Norte.
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