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Por: João Cardoso

João Cardoso1

I

Os olhares são severos e sempiternos. Fingem-se com o sorriso até o último molar mesmo que esteja furado. E qual técnica de efabulação (!) Prefiro a polifonia musical por que as linhas não se encontram, nem se cruzam e evolam-se. Não há mais, hoje, a ociosidade feliz de Cervantes ou de Diderot em noites da lua inteligente: a dramatizar o real e a fingir-se com alma de Judas.

II

Prefiro estar sozinho vis-à-vis ao meu espelho e cria-se, em mim, o cinzento da angústia, do lento silêncio com a noite como fundamento de tudo até do suicídio. Através da minha janela vejo um tamanho ecrã e um homem que escreve para contar cada pedaço que levou-o a viajar no tempo e no espaço ou numa ribeira de roupa branca e cheira a sabão de barra azul ou do anil Dos meus antepassados.

III

Isolo-me… embarcando-me em alvas espumas das festas da Bandeirona na ilha do Fogo, nas asas de acasaladas cagarras “Calonectris” dos ilhéus Rombo e Raso para descobrir a história dos pássaros e do Universo. Quais catraias libidinosas de lentíssimos lábios carnudos, desvairada em fazer amor, em noites primaveris, iguais a sons frios do infinito no horizonte da ilha Brava (!) E meti-me por janeiro fora à procura do sonho e do sorriso entre os lixos da realidade que provocam dentro de mim uma sensação de estranheza de um tamanho êmê (M).



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