De repente 193 mil contos para os projetos do PRRA na cidade da Praia desaparecem sem deixar rastos, mas quando faltam 3 semanas para as eleições autárquicas o governo aparece com fundos para iniciar uma obra de requalificação urbana, curiosamente já iniciada pela Câmara Municipal da Praia, mediante contrato de empreitada firmado com uma empresa nacional, na sequência de um concurso público promovido para o efeito. É o governo de Cabo Verde violando as leis e atacando o poder local e a democracia!
Certamente se recordam da chinfrineira do governo quando a Câmara Municipal da capital decidiu avançar com a requalificação do porto da Praia, corria o mês de setembro. Que não, que não era competência da autarquia, que era da Enapor…
O governo embargou a obra e impediu a câmara de avançar, encenando que o próprio governo iria iniciar a obra. Placas no local, grande pompa e circunstância para, logo a seguir, a suspender.
Dois meses depois, o mesmo governo deita o argumento da competência borda fora, dando o dito por não dito, e decide avançar com a asfaltagem da estrada de São Pedro, sem dar cavaco à Câmara Municipal da Praia.
Jogos de cosmética e ilusionismo
Em mês de eleições, desesperado pelos indicadores de “tomar a Praia custe o que custar” não lhe serem favoráveis, após quatro anos sem realizar uma única obra na cidade da Praia, o governo de Ulisses Correia e Silva procura enganar os praienses com jogos de cosmética e ilusionismo.
O mesmo governo que, também em setembro e contra o interesse público, embargou, por intermédio do Instituto de Estradas de Cabo Verde, a construção de uma rotunda em Palha Sé, uma condição colocada pela empresa Solatlântico para abrir uma linha de autocarro para os bairros Vila Acácia 1 e Vila Acácia 2. Bairros, aliás, onde o governo, durante quase oito anos, manteve irresponsavelmente as residências fechadas.
As malfeitorias do governo não se ficam por aqui. Em Matão já tinha feito coisa semelhante: impediu a Câmara de construir uma estrada e, logo seguir, apareceu a executar a obra.
Vale tudo para tomar a Praia
É evidente que estamos perante um governo que age acima das leis, do interesse público e das boas relações institucionais (aquilo de que reiteradamente acusa a autarquia da capital) num vale tudo para “tomar a Praia custe o que custar”.
Um governo, aliás – convém relembrar! -, que recusou transferir 193 mil contos do PRRA à Câmara Municipal da Praia, alegando falta de verbas. Até hoje não teve a dignidade de explicar aos praienses o que é que se passou com dinheiro, que curiosamente é produto de um crédito obrigacionista contraído na Bolsa de Valores de Cabo Verde. Fosse uma verba do Tesouro, poder-se-ia entender esta desculpa do governo, mas não, estamos perante um crédito depositado numa conta aberta pela Associação Nacional dos Municípios junto da Caixa Económica de Cabo Verde só para este efeito específico, conforme acordo irrevogavel firmado entre as Câmaras Municipais subscritores da referida operação financeira e as demais entidades envolvidas, designadamente o próprio governo e a ANMCV.
Mas há um problema: uma a uma todas as investidas contra a Câmara e Francisco Carvalho têm caído. Caíram os bloqueios internos, caíram as tentativas de judicialização da política e politização da justiça, caíram as campanhas de assassinato político e de caráter. Pelo caminho ficaram essas figurinhas menores que não poupam nas canalhices: caíram uma a uma.
A cosmética e o ilusionismo já não podem salvar o candidato de Ulisses.
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A equipa do Santiago Magazine