Trump diz que “não precisa do direito internacional”
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Trump diz que “não precisa do direito internacional”

Em entrevista ao New York Times, o presidente dos EUA afirmou, ainda, que apenas a sua “própria moralidade” poderá limitar o alcance do seu poder global. Por outro lado, em entrevista ao canal de televisão Fox News, Donald Trump afirmou que gostaria de ver Corina Machado a dar-lhe o Nobel da Paz, como ela própria já prometeu.

Em entrevista ao New York Times, o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, afirmou que não se sente submetido a normas internacionais. “Eu não preciso do direito internacional. Eu não estou querendo machucar as pessoas”, afirmou, segundo a reportagem do jornal.

Pese a entoação de Trump, sugerindo uma ação global praticamente ilimitada, o presidente norte-americano reconheceu, porém, que seu governo pode precisar de respeitar regras internacionais, embora relativizando esse compromisso e questionando a própria definição do conceito. “Depende da sua definição de direito internacional”, declarou.

Segundo Donald Trump, a única coisa capaz de limitar o alcance do seu poder global seria a sua “própria moralidade”. Estas declarações foram, também, repercutidas pela rede de televisão ABC News, que destacou o conteúdo explosivo e o impacto político e diplomático que elas podem provocar em um momento de grande tensão internacional.

Questionado sobre se há algum limite para o poder do presidente dos EUA no contexto global, Trump respondeu atribuindo a si mesmo o único freio possível. “Sim, há uma coisa: a minha própria moralidade. A minha própria mente. É a única coisa que me pode deter”, disse o inquilino da Casa Branca, segundo a reportagem do New York Times.

Sob forte atenção e críticas internacionais

A entrevista aconteceu num momento em que ações recentes do governo Trump vêm provocando atenção e críticas em diferentes partes do mundo, nomeadamente a operação de ataque à soberania da Venezuela e subsequente sequestro de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores.

Este episódio reacendeu o debate sobre os limites do poder norte-americano no plano internacional, particularmente pela forma como a ação foi conduzida e a reação que provocou em governos e organismos internacionais.

Novas ameaças belicistas expõem isolamento internacional de Trump e dos EUA

A reportagem destaca, ainda, que Donald Trump e seus assessores vêm discutindo “uma gama de opções” para adquirir a Groenlândia, inclusive com a possibilidade de intervenção militar. A informação teria sido confirmada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em declarações proferidas nesta semana.

Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano voltou a apontar para a NATO, organização fundada pelos EUA e da qual é o principal membro. Em uma postagem na sua rede social, Trump escreveu que os Estados Unidos “sempre estarão lá pela NATO, mesmo que eles não estejam lá por nós”, e avançou duvidar que o bloco militar europeu apoiasse Washington caso o país “realmente precisasse”.

Outro facto referido na reportagem é a assinatura de um memorando presidencial determinando que os EUA se retirem de 66 organizações internacionais, incluindo entidades ligadas às Nações Unidas. É que, segundo a argumentação da Casa Branca, essas organizações “não servem mais aos interesses” do país.

Poder sem impedimentos põe em risco a segurança internacional

As declarações de Trump reforçam uma visão de mundo baseada no unilateralismo e na recusa de limites externos ao poder do império norte-americano, em oposição à tradição diplomática, contruída deste o fim da II Guerra Mundial, formalmente centrada na defesa de instituições multilaterais e tratados internacionais.

Ao afirmar que sua própria moralidade é o único limite possível, Trump alimenta a apreensão de líderes mundiais e de analistas internacionais perante as ações belicistas recentes com consequências concretas, como a operação na Venezuela, a pressão geopolítica sobre a Groenlândia e as ameaças à Colômbia, México e Irão, bem como a deterioração do diálogo com aliados tradicionais e históricos dos Estados Unidos da América.

Trump gostaria que Corina Machado lhe desse o Nobel da Paz

Por outro lado, em entrevista ao canal de televisão Fox News, Donald Trump afirmou que gostaria que María Corina Machado lhe desse o Prémio Nobel da Paz, conforme a própria prometeu.

“Ouvi dizer que ela queria fazer isso. Seria uma grande honra”, disse Donald Trump ao apresentador da Fox News que recordou que a chamada “líder da oposição” venezuelana tinha prometido “partilhar” e até “entregar” o galardão.

O presidente norte-americano declarou que "quando se acaba com oito guerras, deve-se ganhar um prémio por cada uma delas" e anunciou que se vai encontrar com Corina Machado na próxima semana, acrescentando que seria “uma grande honra” se a dirigente oposicionista venezuelana lhe entregasse o Prémio Nobel da Paz.

Recordamos que no passado sábado, 03, horas após o sequestro de Nicolás Maduro, Donald Trump afirmou que María Corina Machado não estava qualificada para assumir a liderança da Venezuela, sublinhando que a realização de eleições no país não está na agenda política da Casa Branca.

C/247/Observador

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