
Enquanto o número de eleitores cresceu, em média, em mais de 47.000 eleitores das Legislativas de 2011 a 2021, o MpD perdeu mais de 50.000 eleitores de 2016 a 2024 e não há nenhuma sinalização no sentido do abrandamento, estancamento ou reversão das perdas eleitorais para 2026, pelo contrário, projeta-se uma aceleração no ritmo das perdas eleitorais para as próximas Legislativas para os ventoinhas. O balanço da governação do ciclo político do MpD de 2016 a 2026 é negativo e está expresso nos resultados eleitorais autárquicos e legislativos, nos levantamentos do afrobarometer que foram espelhados nos gráficos apresentados. Caberá aos eleitores reconfirmarem o cartão vermelho ao MpD nas legislativas de 2026 como já haviam feito nas presidenciais de 2021 e nas autárquicas de 2024!
O ano de 2025 termina com ganhos e perdas relevantes para o país e o ano de 2026 estreia com esperanças renovadas em várias aéreas e, em particular, no campo eleitoral:

1. De 2016 a 2024, o MpD foi destronado pelo PAICV como o maior partido autárquico desde a institucionalização da democracia em 1991: os ventoinhas tinham vencido as eleições municipais em 20 das 22 Câmaras Municipais do país, em 2016, para conhecerem a sua maior amargura eleitoral autárquica de sempre, em 2024, com a perda de 15 CM para o PAICV e remanescendo em apenas sete;
2. O balanço dos oito anos dos resultados eleitorais demonstra, claramente, que os eleitores reprovaram o modelo de administração municipal inaugurado pelo MpD em 2016 e aprovaram, em contrapartida, uma nova agenda governativa apresentada pelo PAICV: os eleitores tinham-lhe confiado duas CM, em 2016, e resolveram premiá-lo, sucessivamente, com o aumento do número de autarquias a administrar, oito e 15 CM, em 2020 e 2024, respectivamente;

3. A relação entre os resultados eleitorais autárquicos no Município da Praia e eleições legislativas no ciclo político 2012 a 2026 mostra uma correlação linear entre esses dois universos eleitorais: em 2012, o MpD com Ulisses Correia e Silva alcança o seu melhor resultado eleitoral municipal na capital, em 2012, com 27.483 votos, resultado esse que o catapulta para a vitória legislativa do MpD na eleição legislativa seguinte com 122.881 votos, em 2016, sendo a sua maior votação obtida no presente ciclo em análise;
4. De 2012 a 2024 o MpD despenca de 27.483 votos para 14.140, na Praia, e ao nível nacional, perde 50.569 votos em oito anos, de 2016 a 2024;
5. Em sentido inverso, o PAICV vem capitalizando o descontentamento provocado pelas governações locais e nacional do MpD e consegue traduzi-lo em resultados eleitorais favoráveis aos tambarinas;
6. Enquanto aumenta o percentual e o número de eleitores que consideram que o país está sendo governado na direção errada, alcançando próximo de 70% dos eleitores, segundo dados do afrobarometer de 2022 e 2024, o Primeiro Ministro e seu Governo se escudam em supostos indicadores sócio-económicos positivos, tais como, a taxa de crescimento, inflação, emprego para dizerem que o país está bem e que até já está na copa do mundo deste ano;
7. A Oposição (PAICV) vem ganhando espaço e relevância política e eleitoral, tendo provocado a primeira transição autárquica de maioria do MpD para a maioria do PAICV, em 2024, apoiara o candidato presidencial vencedor das últimas eleições presidenciais de 2021 e as sondagens desde 2024 do afrobarometer já deram a vitória do partido PAICV de Francisco Carvalho para as próximas Legislativas, caso as eleições tivessem lugar naquela data e tudo indica que o MpD continuará perdendo votos até a data do próximo pleito;
8. O MpD perdeu, ao nível nacional, de 2016 para 2021, pouco mais de 12.000 votos, perdendo, consequentemente, dois deputados no Parlamento, e acelerou o ritmo dessa perda de votos progressiva e continuamente até as últimas autárquicas de 2024 e projeta-se que se continuar “sem djobi pa lado” terá, em 2026, a metade de votos que tivera em 2016!
9. Enquanto o número de eleitores cresceu, em média, em mais de 47.000 eleitores das Legislativas de 2011 a 2021, o MpD perdeu mais de 50.000 eleitores de 2016 a 2024 e não há nenhuma sinalização no sentido do abrandamento, estancamento ou reversão das perdas eleitorais para 2026, pelo contrário, projeta-se uma aceleração no ritmo das perdas eleitorais para as próximas Legislativas para os ventoinhas.
O balanço da governação do ciclo político do MpD de 2016 a 2026 é negativo e está expresso nos resultados eleitorais autárquicos e legislativos, nos levantamentos do afrobarometer que foram espelhados nos gráficos apresentados. Caberá aos eleitores reconfirmarem o cartão vermelho ao MpD nas legislativas de 2026 como já haviam feito nas presidenciais de 2021 e nas autárquicas de 2024!
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