
O investigador cabo-verdiano defendeu hoje, na Praia, a urgência na plena oficialização da língua cabo-verdiana, apelando a consensos entre partidos políticos, grupos parlamentares e deputados para o reconhecimento formal deste idioma como património cultural e identidade nacional.
Marciano Moreira que falava, em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, assinalado a 21 de Fevereiro, sublinhou a necessidade de sensibilizar os actores políticos para a importância da oficialização plena do crioulo cabo-verdiano.
A efeméride foi instituída em 1999 pela Unesco com o objectivo de promover a diversidade linguística, cultural e o multilinguismo a nível global.
Segundo Marciano Moreira, a identidade é um elemento “fundamental” que distingue povos e nações, defendendo que o adiamento da oficialização plena da língua cabo-verdiana representa também um adiamento da afirmação da identidade, da liberdade linguística e da dignidade nacional.
“O crioulo é uma língua oficial em construção, mas ainda sem paridade”, afirmou, destacando que o idioma não só une os cabo-verdianos residentes nas ilhas, como também a diáspora, reforçando os laços culturais e identitários.
O investigador alertou ainda para o facto de cerca de 40% das crianças no mundo não serem ensinadas nas suas línguas maternas, considerando que Cabo Verde não está imune a esta realidade, o que classificou como uma situação “irracional e prejudicial”, sobretudo no processo de ensino-aprendizagem.
Defendeu, por isso, que o ensino da língua materna constitui um passo essencial para o sucesso escolar e para a aprendizagem de outras línguas, apelando à valorização e promoção da igualdade entre a língua cabo-verdiana e a língua portuguesa.
Para Marciano Moreira, a percentagem da população favorável à oficialização tem vindo a aumentar, o que, no seu entender, demonstra uma crescente consciência sobre a importância da liberdade, dignidade e identidade linguística.
O Dia Internacional da Língua Materna é celebrado anualmente a 21 de Fevereiro em todo o mundo, incentivando os Estados-membros da Unesco a reflectirem sobre a preservação e valorização das suas particularidades linguísticas e culturais.
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Comentários
Aguinaldo Monteiro, 20 de Fev de 2026
Caso a classe política não assuma a iniciativa e a responsabilidade de avançar com o processo de oficialização da língua crioula , deverá ser o próprio povo a mobilizar-se e a exigir a realização de um referendo, para que a decisão seja tomada de forma democrática e em conformidade com a vontade popular.
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