Portugal: Parlamento vai ouvir ministro sobre voo que transportou mulher de Sissoco
Outros Mundos

Portugal: Parlamento vai ouvir ministro sobre voo que transportou mulher de Sissoco

A Assembleia da República aprovou ontem a audição do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o voo, classificado como de Estado, que transportou a mulher do ex-presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e no qual foram apreendidos cinco milhões de euros. A proposta foi apresentada pelo Partido Socialista e aprovada na Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades.

A Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades da Assembleia da República vai ouvir o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Em causa o voo classificado como de Estado, que transportou a Portugal a mulher do ex-presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló.

A proposta foi do Partido Socialista (PS) e recebeu os votos favoráveis do Chega e da Iniciativa Liberal, tendo o PSD (Governo) votado contra. A iniciativa pretende esclarecimentos de Rangel sobre os critérios de classificação como “voo de Estado”, ocorrido a 14 de dezembro, onde, para além da ex-primeira-dama e de uma irmã desta, seguiam o ex-chefe de protocolo da presidência de Sissoco, todos constituídos arguidos, e onde foram apreendidos cinco milhões de euros em dinheiro vivo. A audição tem já data marcada para 20 de janeiro.

Justificação de Rangel sem respaldo no Direito Internacional

Na ocasião, o ministro Paulo Rangel justificou a classificação por razão de o estatuto de cônjuge conferir o mesmo tratamento protocolar de chefe de Estado. Uma tese que, contudo, não se aguenta, já que à data Umaro Sissoco Embaló não exercia funções, estando mesmo fora da Guiné-Bissau.

Ademais, no requerimento entregue pelo PS, é sublinhado que o estatuto de “voo de Estado”, segundo o Direito Internacional e a prática diplomática, “se aplica apenas a deslocações oficiais de chefes de Estado, chefes de Governo ou altas entidades em exercício de funções, com prerrogativas excecionais em matérias de protocolo, segurança e autorizações” de sobrevoo e aterragem.

Os socialistas defendem a “necessidade de transparência e rigor na atribuição desse estatuto”, sobretudo num contexto em que a situação política na Guiné-Bissau tem sido alvo de debates e críticas internacionais.

Foto: Facebook/Paulo Rangel

Partilhe esta notícia

SOBRE O AUTOR

Redação

    Comentários

    • Este artigo ainda não tem comentário. Seja o primeiro a comentar!

    Comentar

    Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
    O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
    Inicie sessão ou registe-se para comentar.