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Por: José Valdemiro Lopes*

 Valdemiro

A realidade contemporânea, económica, social e política cabo-verdiana evidencia-se com relevância, no conglomerado Praia, cidade capital, urbana e suburbana. A capital cabo-verdiana, está em plena transformação e mutuação e assume-se como um complexo urbano e primeiro mercado que atrai, diferentes processos da globalização contemporânea geradores de benefícios sociais e económicos, que devem ser compartilhados e distribuídos da melhor maneira, possível às outras ilhas e regiões, com o objectivo de fazer diminuir as diferenças de crescimento regionais, fixar as pessoas e quadros nas suas próprias regiões, diminuindo o impacto e pressão sobre a Praia que está crescendo desordenadamente a nível de bairros periféricos. A desconcentração, fará aumentar possibilidades reais de desenvolvimento inclusivo de Cabo Verde. Por enquanto, assiste-se no quotidiano, de forma localizada, fóruns, formações e conferencias internacionais e da sub-região africana, frequentes, que podiam ser também realizadas de maneira descentralizadas, nas outras ilhas e cidades do pais, mas praticamente tudo passa-se na cidade capital que amplifica constantemente o seu papel de polo de atração de impactos económicos, sociais e culturais, a cidade, acumula, por isso mesmo, também, muito mais que as outras regiões impactos não desejados que exigem reformulação e adaptação, por parte de varias instituições públicas, forças vivas e essencialmente da municipalidade, preparação resposta na maneira e forma como se organiza a cidade sob vários aspectos, em beneficio dos seus habitantes residentes, como dos habitantes temporais, e para os visitantes de uns dias e os turistas, que muitas vezes, não têm consciências, das situações negativas que causam suas maneiras de estar, face a patrimónios arquiteturais, ambientais e outros…

A cidade da Praia enfrenta, como cidade metropolitana e cosmopolita que é, seus próprios desafios globais, e as soluções veem dos diferentes actores que dão vida e sentido á vida quotidiana citadina. Entre especificidades que a faz atractiva internacionalmente estão algumas instituições, nomeadamente as de ensino superior, como a Escola da Hotelaria e Turismos, algumas universidades, nomeadamente a Universidade Publica de Cabo Verde “UNICV”, vista como referência de produção cientifica e de conhecimento, assumindo, a função e obrigação social de apoiar o desenvolvimento social, económico e cultural, a partir do conhecimento cientifico e técnico que tem a obrigação de produzir, comprometida com a sociedade cabo-verdiana, como instituição geradora de conhecimento critico.

Para compreender melhor o social e económico cabo-verdiano, que pela primeira vez na sua história tem a sua economia com o PIB a crescer, a mais de 6%, temos de viajar para o passado e fazer referencia também á cidade de Mindelo ilha de São Vicente, que tinha em activo, um número mais que duas vezes superior em despachantes oficiais aduaneiros e a Praia, nesses tempos, se a memória não me falha, tinha apenas três intermediários para executarem todos os serviços de desalfandegamento de mercadorias importadas…

Portanto, com um pequeno comercio, á volta do Porto Grande, mas o mais forte do arquipélago, a cidade de Mindelo, centro urbano, polo cosmopolita de S. Vicente, ilha ela mesma, cidade, esteve sempre em contacto, com outros povos e culturas e intensificou cedo, uma economia de mercado com a sua essência e vida, enraizada quase que exclusivamente nos “negócios” na baía do Porto Grande, onde segundo informações, ancoravam diariamente, em média quatro navios, estrangeiros que faziam escala técnica para abastecimentos em água e produtos alimentares frescos e que refaziam, sobretudo, o “stock” em carvão, para alimentar, os seus motores de combustão, este negócio, foi explorado de modo frutificante, já em 1838 pela companhia inglesa East India, que instalou, em S. Vicente o primeiro depósito de carvão.

A Praia, cidade administrativa e capital do país. Santiago, ilha essencialmente agrícola, a maior e mais populosa e “celeiro” do arquipélago, executou activamente o comércio geral para responder às demandas sobretudo dos assalariados administrativos locais e das restantes ilhas, nomeadamente as do Sotavento, fornecendo, também produtos importados, a Maio, Fogo e Brava, mas estas ilhas não eram unicamente consumidoras, atendendo que no mercado local da Praia, podia-se encontrar frutas da ilha do Fogo e produtos agro pecuários do Maio e da Boavista.

Em Mindelo, a população sempre viveu, por assim dizer em torno do cais acostável, o primeiro do género no país, na baía do Porto Grande. Os navios que se ancoravam, na baía, eram rodeados, quase que de seguida por botes a remos, que agiam paralelamente aos “negociantes de bordo”, para venderem, trocarem bebidas alcoólicas, cigarros e outros produtos, por frutas e mais artigos da terra e também, comprar produtos negociáveis transportados nesses navios, que eram depois vendidos a comerciantes e outros interessados, agindo, esses actores, económicos, uns de maneira informal fora do controlo alfandegário e os outros, formalmente. Os comerciantes formais, em Santiago e S. Vicente, faziam, o comércio de importação e de exportação, orientado, á metrópole colonizadora, embora a fraca oferta monetária face a produção de bens e serviços, nestas duas principais ilhas do arquipélago.

Em 1975, Cabo Verde conquistou a sua independência politica e instalou-se uma economia de Estado, com planeamento económico, como instrumento e dependo da ajuda internacional.

Este processo colidiu com a realidade económica de estrutura de economia de mercado prevalecente, que foi reposta, com êxito em 1991, com a mudança de regime politico. Cabo Verde possuía as estruturas duma economia de mercado á época de independência.

È verdade que o sistema nunca foi dinâmico e teve sempre como fraqueza notória o factor capital, mas o reforço e mais-valia, veio e ficou reforçado com a abertura ao mundo e instalação de um regime democrático.

As recentes mexidas, com a realização do fórum de investimento nos USA refletem a necessidade de se aplicar medidas de estabilização e de correção estrutural, voltado para a Diáspora cabo-verdiana. Desejamos que haja mudança e êxito e que o país norteie a sua âncora para o caminho de desenvolvimento socio económico nacional inclusivo envolvendo todos os filhos destas nove ilhas habitadas.

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