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Por: João Cardoso

 João Cardoso1

 

Mulher, corpo da Luz,

Mãe alegre de Pã, triste mãe de Jesus!

Mulher, divina encarnação do Amor…

Oh consciência de tudo o que é perfume ou flor!

Mulher - Teixeira de Pascoaes

 

1. Ode pindárica “Frederika Santamaria” é herdeira messiânica da Praia de Santa Maria da Vitória de uma solaridade musical que se prolonga e prolongará por décadas (Quando amanhãs renascerão… Quantos anos ainda faltarão (?) Com afinidades múltiplas que as letras, não empoeiradas, afloram para emprestar a musicalidade, em torrentes de amizades, de altruísmos - com reflexo visual e sensual - sem o mal d’outubro Sahel.

2. Dá para se interrogar da primeira letra da música ou da primeira música da música “Frederika Santamaria “ na medida da letra que com ela nos indicará os diferentes caminhos a percorrer nas ribeiras do nosso lirismo que cruzam cadenciadas, intercaladas e cantadas, entre a luz e a noite, entre a terra e o vento como as amanhãs nos abrigos das baías sonâmbulas e virgens da ilha de Santiago das ribeiras, das achadas e das assomadas herdeiras dos nevoeiros de pó e do sol como as fontes originais que Nhonhô soube apaixonadamente interpretá-la com a voz grave, possante e majestoso como o tamanho do Pico de António ou como o timbre da voz rouca e balançada de Ray Charles ao misturar o gospel cantado nas igrejas negras com o blues; inventando assim o estilo musical soul.

3. Relendo nos territórios da herança afetiva ou de nova paisagem efetiva do tempo (!) logo me localizava as fontes dessa voz lírica que restaura ritmos musicais no mosaico da cultura da nossa cabo-verdianidade ilhéu: com formas de oralidade materna, dicções eróticas onde, o oiro dos dias das luzes se colhia na haste mais alta da melodia, da transparência, da leveza e da fluidez doce das águas da fonte de Pombal do pai Nhonhô, em Chã de Tanque, para notabilizar-se na profunda harmonia e na forte herança afetiva de amores.

4. Digamos assim, a plástica, desta poética das letras: Santiaguletra e musica de Jorge Tavares, e, Volta a Santiaguletra e musica de Djoy Amado se temperam nos húmus da ilha da fartura do Dia das Cinzas. Para dizer também (se canta para aprender ou se escreve para aprender). Para Nhonhô que é também Almada de ethos sempre aprendente a dizer que não vá cantar letras castigadas. Mesmo…mesmo que tenhamos as invasoras em casa que, os anjos afinal não têm sexos, nem asas, e, nem anjos há nos céus, sem céus talvez na acolhedora ilha de Santiago.

5. É que, como um pintor naïf que estudasse as colorações a atingir, as densidades ou volumes a obter na sua obra de arte sonhada. Como um Morandi, talvez como Rembrandt ou como Bach (todos os seus nuances ou olhares ou perceções são sentimentos d’alma lançado sobre a efeméride do mundo e da ilha).

6. No tempo da verdade na pena e na voz não faz mal que as pessoas escrevam e cantem (!) Ode pindárica “Frederika Santamaria” trata de um gesto fraterno e carnal que nos remetem para uma vida dentro d’Obra e uma obra dentro da vida para eternidade.



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Comentários  

0 # Aureliao Ramos 09-03-2019 00:05
Quisera eu ver em mim enxertado um pouquinho de Chopin e ainda um pouco mais de Kant para poder fazer uma apreciação à crítica musical e antropológica do album "Frederika Santamaria"aqui lavrada pelo meu amigo e companheiro João Cardoso!
Cardoso induz e sugere uma leitura introspectiva da estética musical da "obra" de Nhonhô ! Através desse olhar "complexificado" conclui que sendo a música uma das essências da arte, imortal e dissolvente, e isto porque carreia em si mesma um alvo: a aspiração especial, colectiva e patriótica.Invoca raízes da sua origem que no seu próprio meio envolvente
se erige numa anomalia individual!
Ouvir e se embalar com "Frederika Santamaria" é se reconciliar com desejos opostos, sentimentos contraditórios, apaziguar nostalgias apaixonadas e harmonizar os espíritos, ou como dizia Edgar Morin,reviver "mes démons", meus demónios!
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