Unicef alerta! Líderes mundiais têm de olhar para as vítimas no Sudão
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Unicef alerta! Líderes mundiais têm de olhar para as vítimas no Sudão

O vice-porta-voz do Unicef, Ricardo Pires, considera a situação neste país africano como a “maior crise humanitária” do mundo, com o risco de morte de crianças este ano a não ter precedência. Segundo este especialista em comunicação da agência das Nações Unidas, pelo menos 33 milhões de sudaneses precisam de ajuda para sobreviver e a Acnur espera mais 470 mil refugiados em 2026.

O Sudão é atualmente, talvez, o pior lugar para uma criança crescer e sonhar com um futuro de esperança. A denúncia é do vice-porta-voz do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Ricardo Pires, em declarações ao ONU News.

O país africano está em guerra desde abril de 2023, quando tropas do governo sudanês e paramilitares da Força de Reação Rápida, RSF, entraram em confronto.

Crianças e mulheres são, maioritariamente, as vítimas do conflito

Para se ter uma noção da gravidade, só esta semana, um ataque com drones matou mais de 50 pessoas, incluindo 15 crianças. Uma das áreas afetadas foi o estado de Cordofão do Sul.

“O Sudão é uma crise que deveria estar fazendo com que todos nós não conseguíssemos dormir à noite se fôssemos parar para pensar realmente no sofrimento de milhares de crianças, de mulheres e famílias por quase três anos. E para a gente tentar sensibilizar, a gente tem que continuar a informar, a passar os números e conversar com jornalistas como estou fazendo aqui. Mas, também, que as lideranças internacionais falem um pouco mais da situação no Sudão”, disse Ricardo Pires

A este propósito, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se esta quinta-feira, 19, para debater o assunto.

Falta de acesso é empecilho à ajuda humanitária

Segundo o Unicef, a maior parte das vítimas no conflito é de crianças e mulheres. E um dos maiores empecilhos ao socorro humanitário é a falta de acesso. Para tentar contornar o problema, um grupo de agências de ajuda humanitária montou um comboio da ONU com artigos vitais para duas cidades de Cordofão do Sul: Dilling e Kadugli. A linha de auxílio incluiu 26 camiões com remédios, alimentos, água e kits de higiene para 130 mil pessoas.

Ainda segundo esta agência das Nações Unidas para a defesa e promoção dos direitos das crianças, um dos maiores riscos de morte são subnutrição e infeções, incluindo a malária e a tuberculose.

Este ano, mais de 470 mil pessoas atravessarão a fronteira do Sudão para fugir à guerra

Ainda esta semana, a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), lançou um apelo para a mobilização de um bilião e 600 mil dólares para socorrer quase 6 milhões de sudaneses nos países vizinhos. E a estimativa para este ano, é de mais de 470 mil pessoas atravessando as fronteiras para fora do Sudão tentando fugir da guerra.

A segurança no estado do Nilo Azul também piorou nos últimos meses, com a retomada de combates, à medida que grupos armados se movimentam nas zonas sul e oeste da região. Países como o Chade, o Uganda e o Sudão do Sul já manifestaram preocupação com os combates além da área da fronteira com a Etiópia.

A este propósito, Ricardo Pires manifestou preocupação com o cenário, alegando que “são mais de 33 milhões de pessoas no Sudão, hoje, em necessidade urgente de ajuda humanitária. Metade delas são crianças. Estima-se que mais de 825 mil crianças sofram de desnutrição aguda grave este ano, em 2026. Essa é a projeção devido às condições catastróficas em várias partes do país”.

Outra preocupação desta agência da ONU é com o aumento de casos de violência sexual, que vitimam mulheres e crianças. Ricardo Pires lembrou que muitos sudaneses ainda guardam os traumas do conflito em Darfur, há 20 anos, e que os efeitos dos combates já duram uma geração inteira.

C/ONU News
Foto: Unicef

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