Amélia Araújo: Partiu uma das vozes do “canhão de boca” da luta de libertação
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Amélia Araújo: Partiu uma das vozes do “canhão de boca” da luta de libertação

Uma das vozes mais ouvidas da luta de libertação nacional, Amélia Araújo recebeu nas palavras de Amílcar Cabral aquilo que melhor identificava a missão da Rádio Libertação, que emitia a partir de Conacri: “canhão de boca”. E cumpriu inteiramente as suas tarefas, dando voz a uma causa maior, na senda do grande ideal de libertação dos povos sob o domínio colonial, a que se dedicou com a coragem e determinação das mulheres que não quiseram menos do que ser protagonistas da História. Amélia partiu para a eternidade e a todos deixou mais pobres.

Amélia Araújo deixou este mundo de viventes e partiu para a eternidade. Uma das vozes mais ouvidas das emissões em português da Rádio Libertação, que emitia regularmente e com programação própria, a partir de Conacri, desde 16 de julho de 1967. Um importante instrumento da guerra psicológica contra o ocupante colonial e que foi, apropriadamente, definida por Amílcar Cabral como “canhão de boca” da luta de libertação nacional da Guiné e de Cabo Verde.

Um ano antes das emissões regulares, Amélia Araújo, juntamente com outros camaradas do partido, foi enviada a Moscovo para formação, regressando a Conacri locutora de continuidade nas emissões em português da Rádio Libertação. Mas a emissora transmitia, também, programação em crioulo, balanta, fula, mandinga e beafada.

Amélia deu voz a dois dos programas mais ouvidos pela emissora: “Comunicado de Guerra” e “Programa do Soldado Português”, onde incitava os militares do exército colonial-fascista à revolta contra uma guerra de que eram apenas carne para canhão do regime de Lisboa.

José Maria Neves presta tributo à combatente

Reagindo ao falecimento de Amélia Araújo, o presidente da República prestou o seu tributo a quem “nos quadros do PAIGC deu vida à Rádio Libertação e, pela palavra, indelevelmente, contribuiu para a libertação dos povos da Guiné e de Cabo Verde”, escreveu o presidente da República no seu perfil pessoal no Facebook.

“Presto a minha homenagem à Combatente, que se armou até os dentes, literalmente, para, por palavras, lutar contra a subjugação e deu tudo de si para a reconstrução de Cabo Vede, no pós-independência”, escreveu José Maria Neves, alargando o seu tributo à geração de Amélia Araújo.

“Deixados à nossa sorte, os alicerces do desenvolvimento durável só seriam construíveis graças ao empenhamento e à generosidade desses briosos jovens das décadas de 60 e 70 e cabouqueiros da República”, escreve o presidente da República, considerando que “a melhor forma de os homenagearmos é continuarmos, agora, a consolidar as liberdades e a democracia e a catalisar a transformação socioeconómica de Cabo Verde, visando a prosperidade e a justiça social”.

Foto: DR

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