É minha opinião que Silvino da Luz conquistou o direito às mais elevadas Insígnias e Distinção da República que ele ajudou a erguer. E no 50º Aniversário da Independência seria, de todo, simbólico. Continência, COMANDANTE!
1. Há cerca de duas semanas, o acaso proporcionou-me o enorme prazer de acompanhar um testemunho político e histórico do Comandante Silvino da Luz.
2. De improviso, com paixão e garbo, este Combatente da Liberdade, Herói Vivo e Diplomata, fez uma densa incursão no domínio da Luta de Libertação, história, da cultura e da Política, cativando a atenção da assistência ávida e interessada.
3. 'Terrivelmente' patriota, Silvino da Luz arrastou para dentro da Sala repleta, o passado da Mata da Guiné sob coturno de Salazar e Caetano. E descreveu a dureza duma Guerra imposta, que só a bravura e estoicidade dos seus companheiros de armas faziam esquecer a iminência dos riscos, para infligir danos cada vez mais retumbantes ao exército colonial.
4. O "Inferno dos 3G" traduzido no assalto às Guarnições de Guiledje, por Osvaldo Lopes da Silva, Guidage, por Júlio de Carvalho e de Gadamael, por Manecas Santos decidiu, praticamente, a Guerra: Spinola era o General no seu labirinto, às voltas com o seu "Portugal e o Futuro".
5. O mesmo é dizer das agitações firmes e continuadas para impedir e fracassar o Encontro 'secreto' entre Marechal Mobutu e General Spínola no Sal. E que, ao mesmo tempo, constituíam a retaguarda ruidosa de apoio à Delegação do PAIGC nas negociações de Londres, Argel e Lisboa.
6. E mostrou também o seu domínio sobre equilíbrio do Não-Alinhamento, entre os Blocos, a Guerra Fria, os conflitos na África Austral e o papel credível de Cabo Verde na resolução desses conflitos.
7. Uma verdadeira Aula Magna duma figura-de-proa, do também Cabouqueiro dos alicerces deste grande Edifício, que é hoje orgulho e grandeza até para os cépticos de ontem.
8. E o zumbido do hall era unânime: para quando o livro de memória tão palpitante de Silvino da Luz?
9. A concluir, é minha opinião que todo o contributo dedicado ao país deve ser reconhecido. Pelo mais Alto Magistrado da Nação. É minha opinião que Silvino da Luz conquistou o direito às mais elevadas Insígnias e Distinção da República que ele ajudou a erguer. E no 50º Aniversário da Independência seria, de todo, simbólico.
Continência, COMANDANTE!
NOTA de rodapé
Vem-me à memória uma entrevista na TCV do Padre CAMPOS. Nunca se viu nenhum intelectual dissertar-se com tanto domínio, tanto pormenor, tanta exuberância e desenvoltura sobre a História, Cultura, sobre o ethos do caboverdiano, desde a chegada das Caravelas, à data da entrevista. E em coro, várias pessoas, incluindo o bispo Dom Paulino mostravam desejo de ver em livro as Memórias do Pe. Campos. O que é já muito difícil com o peso dos seus 98 anos. E o livro «Padre CAMPOS: O Missionário do Espirito Santo» de Hermínia Curado não é senão um ínfimo gesto de gratidão para a dimensão de um Homem que para mim, é um Santo bem antes da canonização!
O prelado parece ter selado a sua Aliança 'sagrada' com os caboverdianos. E mais do que qualquer outro, ele assume o telurismo desta terra 'skalabrôd' com o húmus de Amor, Humildade, Proximidade, Humanismo, Filantropia, Altruismo, Entreajuda e bem-comum.
Pela mansidão no exercício do seu sacerdócio, Pe Custódio Ferreira CAMPOS merece, também ele, a superior distinção da República das mãos do Presidente enquanto rosto da Nação. Ideal mesmo neste Ano do Jubileu 2025 - Peregrino da Esperança - proclamado pelo Papa Francisco.
Terra Branca, 30 de Dezembro de 2024.
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