PCA da Fundação Social das Forças Armadas quase provocou crise diplomática com a China
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PCA da Fundação Social das Forças Armadas quase provocou crise diplomática com a China

O capitão Rogério Soares de Oliveira, recém-nomeado pelo Governo presidente do conselho de administração da Fundação Social das Forças Armadas, em fevereiro de 2020 por pouco não provocou um incidente diplomático entre a República Popular da China e Cabo Verde. Na altura, o atual PCA, ainda com o posto de 1º tenente fuzileiro, frequentava uma formação e uma academia militar chinesa, quando publicou um post numa rede social dizendo estar a ser perseguido e temer pela sua vida, o que se veio a constar ser falso.

Corria o mês de fevereiro de 2020, na República Popular da China, frequentando um curso de formação de comandante de operações especiais, juntamente com outro militar, quando o recém-nomeado pelo Governo presidente do conselho de administração da Fundação de Solidariedade das Forças Armadas (FSFA), capitão Rogério Soares de Oliveira, resolver escrever uma mensagem numa rede social (ver foto) dizendo estar a ser perseguido e temer pela sua vida.

Pedido de socorro

“Gostaria de lançar um pedido de socorro urgente daqui da China, mas fiquem todos descansados que não é por causa da corona vírus, mas sim porque descobri muitos segredos por aqui e agora o comandante da academia já me sentenciou de morte”, pode ler-se na publicação do então 1º tenente fuzileiro Rogério Soares de Oliveira.

As afirmações do militar caírem como uma bomba, levando o então chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Anildo Morais, a reagir publicamente.

Na ocasião, o 1º tenente fez uma afirmação de natureza conspiratória, afirmando perentoriamente: “eles estão a monitorar-me vinte e quatro horas por dia” e adiantando que, desde o dia 10 de fevereiro, os responsáveis da academia teriam tomado a iniciativa de o “liquidar” fisicamente.

O agora capitão Rogério Soares de Oliveira, prossegui o seu “pedido de socorro”, afirmando: “O meu próprio comandante de curso tentou seduzir-me para o efeito, mas sem chance e ontem o comissário chamou para um encontro e tentou falar comigo desrespeitosamente sobre a minha vida, mas fiz como todos os militares fazem dei-lhe uma manobra de diversão para ganhar tempo”, enfatizava o atual PCA da FSFA.

“Agora já sabem o que está a passar se acontecer alguma coisa comigo já sabem que foi os responsáveis desta academia e por conseguinte as autoridades chinesas”, termina o então 1º tenente o seu pedido de socorro.

Chefe do Estado Maior desmente ameaças a militares cabo-verdianos

Na ocasião, o então Chefe do Estado Maior das Forças Armadas teve de reagir, desmentindo que qualquer dos dois fuzileiros cabo-verdianos tenha sido alvo de ameaças por parte de responsáveis da academia militar chinesa.

Em entrevista ao “Fala Cabo Verde”, da TV Record, Anildo Morais alegou que Rogério Soares de Oliveira estava com “problemas de saúde” e confirmou que este havia publicado numa rede social que estaria sob ameaça dos responsáveis da academia onde frequentava o curso de comandante de operações especiais.

“Os militares nunca estiveram sob risco, sob nenhuma ameaça”, disse o Chede do Estado Maior das Forças Armadas, avançando que, tendo em conta esta situação, o então 1º tenente foi autorizado a regressar a Cabo Verde, na companhia do seu colega de curso.

A Casa Blanca, para onde seguiram os militares, foram enviados ao seu encontro um diplomata cabo-verdiano, o diretor nacional de Defesa e um capitão psicólogo para acompanhar Rogério Soares de Oliveira na viagem entre a cidade marroquina e a cidade da Praia.

Na mesma entrevista à Record, Anildo Morais fez questão de sublinhar que a academia chinesa prestou todo o apoio e assistência para o regresso dos dois fuzileiros a Cabo Verde, adiantando que este incidente não afetava em nada as estreitas relações, ao nível da Defesa, entre os dois países.

Punido por “conduta imprópria”

Conforme tivemos ocasião de referir na nossa edição de ontem, a nomeação pelo Governo do capitão Rogério Soares de Oliveira como novo PCA da Fundação de Solidariedade das Forças Armadas está a provocar contestação no meio castrense, que reagiu com incredulidade à indicação deste nome, desde logo, porque para este cargo “sempre foi nomeado um oficial superior”. Mas, também, porque o consideram “despreparado para o cargo”, e alegam ter sido “escolhido em detrimento de vários oficiais superiores da área de administração, melhor qualificados e preparados”, referiram as nossas fontes.

Rogério Soares de Oliveira, ainda segundo as nossas fontes, é identificado como “conflituoso e de condutas impróprias de um militar” e, entre outras, referem a circunstância de ter sido punido pela sua antecessora por “conduta imprópria de um militar no ativo”.

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