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Manuel De Pina

O presidente da Associação Nacional dos Municípios afirmou em entrevista à Inforpress que a passagem de Cabo Verde a País de rendimento médio (PRM) não beneficiou os municípios porque ficou “um vazio a nível da cooperação descentralizada”.

Para Manuel de Pina, após 10 anos da graduação de Cabo Verde para o grupo de Países de Rendimento Médio, apesar de ter configurado um aspecto promocional do país, criando mais confiança na economia, atraindo mais investidores, o aspecto negativo é também nítido porque “afugentou os potenciais apoiantes” de Cabo Verde que deixaram de escolher o país como prioritário em matéria de cooperação.

Neste quadro, ajuntou, os mais afectados foram os municípios, porque vários parceiros internacionais “saíram” da cooperação descentralizada.

“Para a AMNMCV e as câmaras municipais isso não foi bom, porque a cooperação descentralizada particamente ficou residual. Ficou apenas a cooperação luxemburguesa. Temos, neste momento, alguma cooperação regionalizada que estamos a fazer no âmbito do Projecto de Desenvolvimento Sustentável com as Nações Unidas e a cooperação luxemburguesa tem-nos apoiado nisso junto com a União Europeia”, concretizou.

Segundo a mesma fonte, parceiros como o Fundo Galego deixaram de apoiar Cabo Verde como apoiavam antes e, mesmo a cooperação com Portugal e Espanha, que financiavam vários projectos com impacto nos municípios, saíram. Os apoios de países individuais como a Holanda e Itália são também quase residuais, referiu.

Entretanto, Manuel de Pina critica também o facto de as oportunidades que Cabo Verde teve após a classificação a PRM “não terem sido muito bem aproveitadas”, concretamente os empréstimos concessionais, “porque o país endividou-se, mas não trouxe o desenvolvimento almejado”.

“As oportunidades que tivemos em termos dos empréstimos concessionais foram todas utilizadas de uma forma não proveitosa para a nossa economia. O país endividou-se com essa oportunidade, com empréstimos altamente vantajosos, em termos de juros, mas os investimentos efectuados não serviram como motor para arrancar com o desenvolvimento sustentável do país”, enfatizou.

Como consequência, adiantou, além de endividado “o país continua altamente dependente, com muita fragilidade”, realçou, indicando, por outro lado, que o país “não pôde ter acesso a muitos financiamentos porque aproveitou tudo e não conseguiu arrancar com a economia para resolver o problema estrutural como o emprego, sobretudo no seio da camada juvenil”, adiantou.

No entanto, o presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo verde defendeu que Cabo Verde também tem que “saber andar pelos seus próprios pés e não estar constantemente a mendigar ou a pedir”.

“Temos que aproveitar a situação que temos e transformar isso em oportunidades. Apostar no nosso território, no que temos para explorar bem, não cometer erros e caminhar pelos nossos próprios pés para não ficarmos eternamente na dependência”, afirmou adiantado que o país deve-se apresentar na comunidade internacional “de igual para igual”.

Com Inforpress



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Comentários  

0 # Maria Tavares 28-01-2019 12:03
Coitado. Lá porque anda a ganhar eleições junto do povo humilde da ribeiras e achadas de Cidade Velha, com base em compra de votos e ameaças e agresões, pensa que sabe alguma coisa. Olha o edtado em que está a Cidade Velha e ficas a saber o quanto és incompetente.
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+1 # Diniz Moreno 27-01-2019 14:03
O que é que o Manuel de Pina quis dizer? Ele não fez entender e sequer se teria entendido. Deveras ele é muito limitado, em termos acadêmicos, por isso, desempenha muito mal as funções públicas de presidente de câmaras municipais. Nunca devia estar com esse cargo público que exige um ser humano muito inteligente e provido de conhecimento acadêmico consolidado, o ele (Manuel de Pina) não possui ainda
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+1 # Zona 25-01-2019 14:45
Tens que estudar melhor a lição. O teu discurso está distorcido. Somente despejastes baboseiras sem saber realmente como andam as coisas. As questoes internacionais nao sao tratadas de animo leve como se faz o grogue merdon.
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