
Países do Médio Oriente e da Europa pedem retomada das negociações entre as partes como forma de conter o conflito iniciado hoje pelos Estados Unidos da América e Israel ao Irão, em violação do direito internacional.
Governos de todo o mundo já reagiram ao ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel contra o Irão, no início deste sábado, 28, pesem as negociações diplomáticas em andamento entre Washington e Teerão. Entretanto, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão respondeu com ataques generalizados com mísseis contra áreas sob ocupação israelita.
Até o momento, já morreram perto de duas centenas de pessoas no Irão, a maioria estudantes. De acordo com autoridades iranianas, o ataque atingiu diretamente uma escola em Minab, cidade do sul do país, onde estavam cerca de 170 estudantes. As equipes de resgate ainda atuam no local, e o número de vítimas pode aumentar.
Indignação internacional
Em comunicado, o governo brasileiro condenou os ataques e expressou “grave preocupação”, defendendo “um processo de negociação entre as partes”, considerado “o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz, ainda, outro trecho do comunicado.
Por sua vez, a Rússia pediu a suspensão dos ataques e afirmou que a situação deve ser “retornada ao caminho da solução política e diplomática”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa disse que a comunidade internacional precisa avaliar o que chamou de ações “irresponsáveis” que podem ampliar a instabilidade regional. O governo russo também declarou que permanece disponível para apoiar iniciativas com base no direito internacional, no respeito mútuo e no equilíbrio de interesses.
Já o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, afirmou estar “consternado” com os ataques e disse que as negociações foram prejudicadas. Segundo o ministro, nem os interesses dos Estados Unidos da América nem a causa da paz são atendidos com o conflito. Al Busaidi afirmou que os EUA não se devem envolver ainda mais e declarou que “esta não é a sua guerra”.
Os Emirados Árabes Unidos condenaram ataques com mísseis iranianos que mataram um cidadão paquistanês após destroços atingirem o território. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que qualquer ataque contra países do Golfo representa ameaça à segurança regional e pediu moderação e uma solução diplomática. Já o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, condenou os ataques “injustificados” e pediu a interrupção da escalada e retomada da diplomacia.
O Kuwait afirmou que os ataques conduzidos pelo Irão representam violação “flagrante” de seu espaço aéreo e declarou que se reserva ao direito de responder de forma “proporcional”. O governo também alertou que novas ações militares podem afetar a estabilidade regional.
O Catar declarou que se reserva ao direito de responder, após ataques com mísseis balísticos, e classificou a ação como violação “flagrante” de sua soberania e ameaça à segurança regional.
O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que o início de um conflito entre os EUA, Israel e Irão têm consequências para a paz e a segurança internacionais. Macron afirmou, ainda, que medidas estão sendo adotadas pelo Governo para proteger cidadãos franceses e que o país está pronto para apoiar parceiros que solicitem ajuda.
O presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, rejeitou o que chamou de ação militar “unilateral” e afirmou que a ofensiva contribui para uma ordem internacional mais instável. Sánchez também declarou que rejeita ações do governo iraniano e da Guarda Revolucionária e pediu “desescalada imediata” e respeito pelo direito internacional.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmaram que os acontecimentos são “extremamente preocupantes”. Em declaração conjunta, pediram que todas as partes exerçam a “máxima contenção”, protejam civis e respeitem o direito internacional.
O que dizem os envolvidos no conflito
Em pronunciamento em vídeo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu que a operação militar conjunta com Israel pode causar baixas entre soldados norte-americanos, e afirmou que “isso, frequentemente, acontece em uma guerra”.
O inquilino da Casa Branca também declarou que os objetivos incluem a destruição da indústria de mísseis do Irão, neutralizar a sua marinha e desarticular forças aliadas na região. Segundo Trump, ataques anteriores, conhecidos por “Operação Martelo da Meia-Noite”, já teriam atingido instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que os bombardeios visam eliminar o que classificou como uma “ameaça existencial”, e disse que a operação pode criar condições para que o povo iraniano “assuma seu destino”.
Em resposta, o Ministério do Interior iraniano condenou os ataques como uma violação das leis internacionais e ativou o sistema nacional de gestão de crises, orientando autoridades locais a mobilizar recursos e a população a seguir apenas informações oficiais.
A ofensiva ocorre em paralelo a negociações sobre o programa nuclear iraniano e sem autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando as tensões e o risco de escalada militar na região.
Até ao momento, desconhece-se qualquer reação do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde.
C/Opera Mundi
Foto: Alex Mita/IRIB TV
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